segunda-feira, 4 de julho de 2011

A REALIDADE EM EÇA DE QUEIRÓS

                                             A realidade em Eça de Queirós


                                                                                                            Por Natália Franciele L. da Silva

          O Realismo surgiu para inovar a literatura. Uma das suas características mais marcante era a denúncia da realidade. Em Eça de queirós essa característica é bem marcante, em uma de suas obras, O Primo Basílio. Ele faz uma denúncia sarcástica sobre a sociedade lisboeta da época. Com uma visão menos subjetiva e mais objetiva Eça tenta mostrar a realidade da instituição do casamento sem distorções. Dessa forma, ele procura apontar em O Primo Basílio as falhas humanas como forma de mostrar a realidade e estimular a mudança das instituições e comportamentos humanos. No livro Eça apresenta Luísa como uma típica burguesinha que em sua inércia acaba sendo atraída pelo primo que é um típico Don Juan. Ao mostrar o adultério Eça ataca duas instituições o casamento como uma instituição falida que vive só de aparências e a igreja como uma instituição inerte.Eça como um grande escritor apresenta esse tema do adultério já trabalhado no romantismo de uma forma inovadora diferente do romantismo no qual o tema era trabalhado de forma mais reservada e romântica. Eça aborda o mesmo tema de forma mais erótica ao detalhar a relação entre Luísa e Basílio despertando o interesse da sociedade lisboeta. Pois para a sociedade o casamento como uma das instituições mais sólidas não poderia existir adultério, mas Eça mostrou a decadência da sociedade lisboeta por meio de suas personagens despidas de virtudes. Toda essa forma de expor o adultério diferente do Romantismo é um meio encontrado por Eça de fazer uma crítica ao Romantismo, pois ele como um dos participantes de uma geração de jovens intelectuais ele queria ver o país crescer e essa era uma forma de criticar o Romantismo pelo atraso de Portugal que impediu Portugal de se abrir para novos horizontes sociais, políticos e culturais.Eça de queirós mostra o determinismo de Taine por meio da empregada Juliana que é aquilo que seu meio a proporcionou, pois sua mãe era empregada domestica e ela consequentemente foi determinada pelo seu meio e como empregada domestica de Luísa queria a todo custo deixar de ser uma reles empregada e se torna igual sua patroa.Os personagens da obra são repletos de doenças e vícios mostrando a fragilidade do ser humano.
                 Eça de Queirós era um moralista como podemos ver sua obra possui uma finalidade ética e social ao atingir algumas instituições que vivia de aparências. Ele soube usar bem a característica realista inovando a literatura Portuguesa ao mostrar a realidade como ela é, mostrando que a sociedade burguesa era constituída de pessoas comuns, cheias de problemas e limitações como qualquer um de nós, modificando o modo de pensar e agir das pessoas.



A MUDANÇA DO DISCURSO NA CONTEMPORANEIDADE

                              A mudança do discurso na Contemporâneidade

                                                                                                             Por Natália Franciele L. da Silva

Segundo Mushakoji (1999) a linguagem deve ser universal, pluralista e anti-hegemônica deixando de ser apenas para uma classe privilegiada na qual a língua é vista hierarquicamente. Essa língua usada como forma de poder deixa excluído as classes menos favorecidas, esquecendo que o discurso dessas classes também exerce seu poder. A sociedade contemporânea vem mudando a forma de produzir conhecimento de acordo com interesses social, cultural, político, econômico e tecnológico e a L.A também acompanha esse desenvolvimento. A imprensa por sua vez tem um grande poder de persuadir a sociedade por meio de seu discurso de acordo com os interesses das classes elitizadas. Com a mudança da sociedade L.A passou a produzir conhecimentos aplicáveis a essa sociedade por meio da epistemologia da vida social na qual o discurso não é apenas de natureza histórica, econômica, cultural e política, mas principalmente na contemporaneidade, a tecno-informação possibilitou um discurso mais veloz que chamamos de tempo real como afirma Miltom Santos(2000). Esse discurso tecnológico possibilita uma sociabilidade esquecendo as diferenças, trazendo dúvidas e confirmações através do discurso, sendo o mesmo discurso a deixar pessoas a margem dessa sociedade, porque a tecnologia ainda não é para “todos”.
               Por meio do discurso se detém o poder e esse poder está nas classes dominantes, em uma relação por exemplo de um patrão e o empregado o primeiro detém uma identidade global no qual seu discurso é referencia e o segundo a identidade local onde se submete ao discurso do outro que tem mais poder. Portanto, vivemos em uma sociedade na qual prevalece a lei da hierarquia que deve ser tratada pela L.A como algo a ser estudado, avaliado e aplicado de forma a intervir nessa realidade. A L.A deve estudar esse discurso social para verificar o poder que esses discursos elitizados exercem no grupo social menos favorecido. Para dessa forma a classe menos favorecida poder se impor e criticar o poder e as injustiças. Mas infelizmente as classes dominantes não querem que os menos favorecidos imponham seu discurso de forma a intervir na sociedade. A L.A como uma área transdisciplinar atua na sociedade mostrando que somos constituídos de teorias socioconstrucionistas e seres históricos que constroem sua identidade por meio de seu discurso. A L.A possibilita ao ser conhecer a si mesmo e a criar possibilidades para atuar na sociedade por meio de seu discurso.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Hora da Estrela


Oscar D'Ambrosio*

        A atriz Marcélia Cartaxo fez Macabea na adaptação de Suzana Amaral para o romance

      Escritora nascida na Ucrânia mas radicada no Brasil desde criança, Clarice Lispector (1920 - 1977) é um caso ímpar na literatura nacional, já que sua abordagem intimista, questionadora sobre os tênues limites entre a ficção e a realidade - e sobre o próprio ato de escrever -, surge numa época em que predominava o romance regionalista, com denúncias sociais sobre a vida no Nordeste.

      O impacto de sua prosa foi tamanho, que a escritora e filósofa francesa Hélène Cixous chega a dividir a literatura brasileira em dois momentos: A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice). O último livro da autora, publicado no ano de sua morte, aparentemente narra apenas o sofrimento da migrante alagoana Macabea no Rio de Janeiro.

      A estrutura, porém, é bem mais complexa. Há, no texto, um tripé: a vida comum e sem graça de Macabea; a história do narrador Rodrigo; e a reflexão dele sobre a escritura. A habilidade de Clarice está em articular esses planos de uma maneira que não dificulta a leitura ou deixa o texto empolado ou pernóstico.

     Sonhadora e ingênua, Macabea é o retrato da saga sem glamour de uma brasileira perante um outro Brasil, que ela desconhece. Seu namoro com Olímpico de Jesus, nome pleno de ironia, já que ele não tem nada das poderosas divindades gregas que habitavam o Monte Olimpo e muito menos do lado humano da Santíssima Trindade católica, não tem futuro algum.


Ascensão social
        Macabea é trocada por Glória, colega de trabalho que, por ter um pai açougueiro, parecia oferecer ao também nordestino Olímpico uma possibilidade de ascensão econômica e social. A desilusão afetiva soma-se a uma progressiva degradação do corpo, causada por uma tuberculose.

       É justamente Glória, outro nome bastante crítico, já que ela pouco tem para ser glorificado, que aconselha a deprimida Macabea a encontrar uma orientação para a sua vida, aparentemente sem sentido, numa cartomante, Madame Carlota, que anuncia um futuro pleno de felicidade com um estrangeiro.


Mercedes-Benz
      Ao sair desse encontro, com a cabeça literalmente nas nuvens, Macabea é atropelada por um Mercedes-Benz. Termina assim uma existência em que predomina um grande vazio existencial, contada com momentos que evocam James Joyce, na forma como trata livremente a narrativa, e Virginia Woolf, no que diz respeito à maneira de enfocar a riqueza interior feminina.

        Em sua sofisticada aula de escritura, a autora cria a saga de um personagem que, se, por um lado, alerta para o drama social da migração, acima de tudo, constrói um exercício do próprio ato de escrever e dos limites entre criador (Clarice), narrador (Rodrigo) e personagem (Macabea), um triângulo marcado pelo constante questionamento existencial.

        Estrela do símbolo da Mercedes funciona de maneira metafórica, pois causa a morte da protagonista. Por outro lado, é apenas com a sua morte que Macabea consegue dar destaque a sua vida, com seu corpo desfalecido no meio da rua. Morta, torna-se estrela por um dia. A sua hora de aparecer chegou, melancólica, como toda a sua existência.



Oscar D'Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é crítico de arte e integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica - Seção Brasil).

Como fazer a avaliação crítica de uma obra?

                                                                           Resenha

Lílian Campos*

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

     Resenha, ou resumo crítico, é um texto produzido com a finalidade de analisar e comentar uma obra qualquer (literária, cinematográfica, pictórica, musical, teatral etc.).

          O resenhista, ou recensor, deve privilegiar, como ponto de partida para a produção de seu trabalho, os seguintes aspectos:leitura detalhada e crítica da obra;informações bibliográficas e alguns dados biográficos mais significativos do autor; produção de um resumo da obra, apresentando as principais ideias de seu autor, respeitadas suas intenções e impressões;análise bem fundamentada de, ao menos, um aspecto relevante do texto;apreciação do aspecto escolhido, ou seja, avaliação crítica em relação a esse aspecto;escrita argumentativa clara, objetiva, coesa e coerente.

        Importante lembrar que a avaliação crítica não se limita a concordar ou discordar com o texto de referência, mas cabe ao resenhista emitir sua opinião de forma consistente. Para tanto, é aconselhável que o recensor busque aprofundar seus conhecimentos, pesquisando sobre o autor da obra, relacionando-o com suas outras produções (se houver) e mostrando suas contribuições no domínio em questão.

     Um outro ponto importante: a resenha deve incorporar o resumo e a avaliação crítica de forma harmônica, ou seja, o resenhista deve estabelecer um diálogo com a obra resenhada e seu autor.


Tipos de resenha

         Os tipos mais conhecidos de resenhas são: a resenha descritiva (científica, técnica) e a resenha crítica (opinativa). Na primeira, o objetivo centra-se no julgamento das proposições feitas pelo autor da obra, ou seja, o resenhista deve analisar e comentar a pertinência e a aplicabilidade daquilo que o autor expõe.

       Na segunda, o objetivo centra-se no julgamento de valor da obra, ou seja, na apreciação de seus aspectos estéticos, na qualidade de sua produção e apresentação.

        Tanto em um tipo como em outro observamos a existência de análises críticas, variando apenas o viés utilizado para a sua exposição.

*Lílian Campos é professora de língua francesa na PUC-PR e na UFPR, com atuação também no ensino de língua portuguesa.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os valores na sala de aula

                                                                                                         Por Ricardo Luiz Marcello


           Olá! É sempre um prazer recebê-lo nesta coluna, onde procuro transmitir algumas maneiras de aplicar as ferramentas da PNL na sala de aula. No último texto, discutimos o que são crenças e como elas influenciam nossas vidas. Analisamos alguns princípios importantes para um ensino eficaz e consistente e concluímos ser imprescindível que o professor acredite em seu próprio potencial e na capacidade de seus alunos para alcançar êxito no processo educativo.

           Falaremos, hoje, sobre alguns princípios que norteiam nossas vidas e nos ajudam a compreender o porquê de nossos comportamentos – trata-se dos valores. Um professor tende a dar importância ao crescimento, à amizade, aos relacionamentos, ao afeto, à aprendizagem e ao respeito, entre outras coisas. No entanto, se quiser agir de maneira coerente com seu próprio modo de pensar, precisa entender o que, exatamente, essas palavras significam. Por outro lado, é importante ter consciência de que os alunos também agem baseados em um sistema próprio de valores. Identificar esses valores e respeitá-los pode fortalecer os laços empáticos entre aluno e professor, facilitando a comunicação entre ambos e tornando a aprendizagem mais eficaz.

               Espero que este texto realmente lhe traga novas reflexões e o estimule a agir de forma diferente em sala de aula. Peço-lhe que realize todos os exercícios sugeridos, pois o conteúdo só será bem assimilado se for vivenciado em sua plenitude. Portanto, comece a acessar agora um estado emocional de interesse e curiosidade... e tenha uma boa leitura!

                                                                   Valores

O que são valores?

São fundamentos éticos e morais “que consideramos importantes em nossas vidas. Valorizar alguma coisa significa dar-lhe importância. Naturalmente, pessoas diferentes terão valores diferentes” (O’Connor e Seymour, 1996, p. 107).

De acordo com Anthony Robbins (2001, pp. 317 e 318), valores “são simplesmente suas próprias crenças, pessoas e individuais, sobre o que é mais importante para você. Seus valores são seus sistemas de crenças sobre certo, errado, bom e mau”.

Podemos, desde já, perceber uma estreita relação entre crenças e valores. É possível sintetizar os dois parágrafos anteriores na seguinte frase: valorizamos tudo aquilo que acreditamos ser importante para nós. Da mesma forma que as crenças, assimilamos os valores “a partir de nossa experiência e do exemplo de nossa família e amigos” (O’Connor e Seymour,1995, p. 156).

                   Vamos esclarecer os parágrafos anteriores com uma atividade prática. Diminua o ritmo de leitura deste texto... e enquanto você entra em contato com suas sensações corporais... Com os sons que você está ouvindo nesse momento... Enquanto você nota as cores e a iluminação do ambiente onde está... Imagine uma pessoa com quem você tenha um bom relacionamento. Pode ser uma relação de amor, de amizade ou simplesmente um(a) colega. Pense em alguém que você admira... De quem gosta bastante... E enquanto você se recorda dos bons sentimentos que essa pessoa lhe desperta, pense em cinco coisas que tornam esse relacionamento tão especial. Quero que selecione cinco características que fazem a relação com essa pessoa ser diferente para você. Talvez haja amor e carinho... Ou talvez haja compreensão e respeito... Deixe as palavras virem à sua mente e utilize o tempo que for preciso para escolher as cinco características. Quando tiver terminado, retome o estado de curiosidade e atenção para continuar a leitura do texto.

                Você acabou de fazer uma lista de valores para o relacionamento com a pessoa escolhida. É muito provável que tenham sido citadas palavras como “compreensão”, “respeito”, “diálogo”, “momentos felizes”, “amizade”, “boas recordações”, “amor”, “palavras doces”, “gentileza”, “demonstrações de afeto”, etc. Cada um desses valores tem um significado especial para você e são eles que regem seus comportamentos nessa relação.

                Os valores são, em geral, expressos com substantivos abstratos (realização, ousadia, amor, tranqüilidade, alegria, êxtase, paz, sucesso, amor, respeito, sinceridade, alegria, etc), mas podemos também usar pequenas expressões (ser amado, sentir alegria, receber elogios, etc) ou frases (“acho importante presentear as pessoas”, “é fundamental demonstrar os sentimentos”, etc) para exprimi-los. Ao longo dos próximos dias, convido você a refletir sobre os valores de outras áreas de sua vida, como trabalho, casamento, educação de filhos, lazer, saúde, etc. Além disso, se você ouvir com mais atenção o que as pessoas dizem, será possível identificar uma série de valores nas entrelinhas de suas palavras. Comece a utilizar esse recurso para fortalecer a empatia de seus relacionamentos!


                                                               A hierarquia de valores

           Pode-se também classificar os valores em uma hierarquia de importância. Por exemplo: no trabalho, o que é mais importante para você? Um bom salário ou um forte sentimento de realização? Obviamente, é excelente quando podemos ter as duas coisas, embora sabemos que isso nem sempre é possível. Muitos dão mais importância ao salário, mas há quem prefira ganhar menos, em troca de uma profissão mais prazerosa.

Saber qual é a ordem de importância de nossos valores é bastante útil na hora de tomarmos alguma decisão. “As decisões são difíceis porque, geralmente, representam um conflito de valores. Por exemplo, você aceita ou não fazer um trabalho extra? Por um lado, você precisa de dinheiro extra, por outro, deseja dedicar-se mais à família. Se você souber o que é mais importante, a decisão torna-se simples” (O’Connor e Seymour, 1996, p. 108).

Volte aos cinco valores que você identificou em seu relacionamento com aquela pessoa especial. Vamos supor que você tenha escolhido “amor”, “diálogo”, “respeito”, “sinceridade” e “carinho”. Agora, se tivesse que excluir um deles da lista, qual eliminaria em primeiro lugar? Circule essa palavra e escreva ao seu lado o número “5”. Proceda da mesma maneira com cada palavra, até encontrar o valor mais importante, ao lado do qual você colocará o número “1”. Ao final, você terá em mãos uma lista de valores em ordem crescente de importância.


Congruência e Incongruência

“Estando doente devo pensar o contrário
Do que penso quando estou são.
(Senão não estaria doente),
Devo sentir o contrário do que sinto
Quando sou eu na saúde,
Devo mentir à minha natureza
De criatura que sente de certa maneira...
Devo ser todo doente – idéias e tudo”.
(poema de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa).


             Apesar de soar um pouco conformista, esse poema ilustra um importante conceito de PNL: a congruência. Para Alberto Caeiro, “estar doente” e “estar são” são coisas bem distintas, que modificam por completo seu estado de espírito. Quando não está são, Caeiro transforma-se por completo, desde o que sente até suas idéias, a fim de ficar “todo doente”, e não “mais ou menos” doente...

    Quando nos comportamos em harmonia com nossos valores, temos uma sensação de congruência. Segundo O’Connor (2004, p. 251), “congruência é o estado no qual suas palavras, linguagem corporal e ações, todas se complementam, concordam e apontam na mesma direção”.

A sensação de congruência “vem da compreensão de que estamos satisfazendo nossos valores com nosso comportamento presente” (Robbins, 2001, p. 318). Você se sentirá realizado na medida em que seus comportamentos e empreendimentos estiverem alinhados com os seus valores pessoais. Por isso é importante ter consciência de quais valores você cultiva em determinado contexto de sua vida e em que ordem hierárquica eles estão.

           Sentimos incongruência, portanto, quando queremos realizar algo que vá de encontro aos nossos valores pessoais. Eis um bom exemplo: acredito que você já tenha “furado” uma tentativa de regime alimentar, saboreando uma deliciosa guloseima com aquela péssima sensação de culpa. Uma parte de você quis comer o doce (essa parte estava valorizando o prazer da alimentação)... Enquanto a outra tentava o advertir para não fazer aquilo (valorizando a estética corporal e a saúde). Essa sensação de “estar dividido” enquanto agimos é o que chamamos de incongruência.

                                                           Os Valores na Educação

                Vamos agora, de forma vivencial, aplicar estes conceitos de PNL na sala de aula. Minha proposta é elaborarmos três listas de valores importantes para uma aula, a partir de três perspectivas diferentes: a de um professor, a de um aluno e a de um diretor de escola.

Pare novamente por uns instantes... Acomode-se confortavelmente... E enquanto uma agradável sensação de relaxamento cresce em seu corpo, imagine-se na sala de aula, à frente da classe, interagindo com seus alunos, explicando-lhes um assunto qualquer, respondendo às suas dúvidas... E à medida que vai reexperimentando a sensação de estar no papel de educador, procure responder às perguntas: como professor, o que você valoriza em uma aula? Quais de suas atitudes poderiam facilitar o entendimento dos conteúdos? O que você valoriza em um aluno? O que você valoriza em um diretor de escola? Como deve ser a estrutura de uma escola ideal? Deixe as palavras surgirem em sua mente e registre as respostas em uma folha de papel.


             Quando achar que concluiu a primeira lista, levante-se e acomode-se em outro lugar. E enquanto vai sentindo aquele agradável estado de relaxamento novamente, retorne para um momento de sua vida em que estava do outro lado do jogo: você era o aluno. Procure se recordar de uma palestra a que assistiu ou de um curso qualquer que tenha feito. Se preferir, pode regressar para a época da faculdade, do ensino médio ou fundamental. E conforme vai revivendo essa época, responda às mesmas perguntas, baseado nesse novo ponto de vista. Como aluno, o que é importante em uma aula? O que é importante que você faça para assimilar os assuntos com mais eficácia? O que você valoriza em um professor? O que você valoriza em um diretor de escola? Como é uma escola ideal para você?


Ao terminar a segunda lista, vá para um outro lugar onde possa se acomodar de forma relaxada. Você vai, agora, imaginar que é o diretor ou o coordenador de uma escola. Há professores, alunos e funcionários sob sua inteira responsabilidade. Cabe a você decidir sobre a metodologia de ensino a ser utilizada nas aulas, sobre quais professores devem ser contratados, sobre como ficará a grade de aulas, entre outras atribuições deste cargo. Vivencie este ponto de vista por uns momentos e responda àquelas mesmas perguntas, com esse novo enfoque. Como diretor, o que é importante em uma aula? O que você valoriza em um professor? O que você valoriza em um aluno? Quais seriam os diferenciais da sua escola e como você gostaria que alunos e professores se sentissem nela?


              Agora você tem em mãos três listas de valores, baseadas em três perspectivas distintas. Se for do seu desejo, é possível torná-las ainda mais específicas, estabelecendo a hierarquia de valores de cada uma.

             A seguir, compare o conteúdo das listas e identifique quais valores estão mais evidentes. Talvez você encontre os mesmos princípios em algumas listas e isso é um sinal positivo, pois significa que suas diferentes perspectivas sobre a aula estão congruentes e sintonizadas. Por outro lado, é possível encontrarmos itens citados apenas em uma das listas. Além disso, se você dispôs os valores em ordem hierárquica, há a possibilidade de não os encontrar com o mesmo grau de importância nas listas. Assim, pense se os valores encontrados na perspectiva do “aluno” e do “diretor” podem ser aproveitados para suas ações como professor, seja dando mais importância para algum princípio, seja modificando seus comportamentos em aula.

             A finalidade destes exercícios é aumentar a consciência que temos de nossos valores, a fim de agirmos em sala de aula com maior coerência, de forma mais congruente com nosso próprio modo de pensar. Assim, uma outra análise que se pode fazer é checar se estamos agindo de acordo com os valores que encontramos na própria perspectiva de “professor”. Por exemplo, se você escreveu que valoriza os relacionamentos em um contexto de aprendizagem, de que maneira exatamente você promove a interação social entre seus alunos? É muito importante termos ideais a serem alcançados, mas seria excelente se realmente agíssemos para torná-los realidade.

Por fim, lembre-se de que seus alunos também têm uma hierarquia de valores para a escola. Procure identificar estes valores no dia-a-dia das aulas, seja durante conversas informais, seja observando suas atitudes. Compreender os valores de nossos alunos pode ser a chave para uma compreensão mais profunda de suas necessidades como estudantes. O ideal seria que os valores de educadores, alunos e dirigentes estivessem sempre alinhados, para uma educação sólida e totalmente congruente.


O enfoque deste texto foi os princípios orientadores de nossas vidas – os valores. Partimos de algumas definições para o termo e entendemos que eles podem ser dispostos em ordem de importância. Compreendemos o que é congruência e a importância de buscarmos essa sensação quando agimos. Aplicamos estes conceitos na educação, elaborando listas de valores para uma aula, baseadas em três perspectivas diferentes (professor, aluno e diretor). Espero que este texto tenha lhe proporcionado uma oportunidade para rever suas ações em sala de aula e refletir sobre suas práticas educativas. No próximo texto, falaremos sobre âncoras na sala de aula.


Bibliografia Geral

- BANDLER, Richard. Usando sua Mente: As coisas que você não sabe que não sabe. São Paulo: Summus, 1987.
- BERNARDES, Sirlei. Acorda Professor – PNL na Arte de Educar. Campinas: Komedi, 2003.
- CAPRIO, Frank S.; BERGER, Joseph R. Ajuda-te pela Auto-Hipnose. São Paulo: Papelivros, s.d.
- DILTS, Robert B. A estratégia da genialidade, vol. I. São Paulo: Summus, 1998.
- DILTS, Robert B; EPSTEIN, Todd A. Aprendizagem Dinâmica – Vol. I. São Paulo: Summus, 1999.
Aprendizagem Dinâmica – Vol. II. São Paulo: Summus, 1999.
Enfrentando a Audiência. São Paulo: Summus, 1997.
- GRINDER, John; BANDLER, Richard. Atravessando: passagens em psicoterapia. São Paulo: Summus, 1984.
- O’CONNOR, Joseph. Manual de Programação Neurolingüística. Rio de Janeiro: Qualitymark: 2004.
- O’CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Treinando com a PNL. São Paulo: Summus, 1996.
- Introdução à Programação Neurolingüística. São Paulo: Summus, 1995.
- PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos e outros poemas. São Paulo: Cultrix, 1989.
- PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. São Paulo: Ática, 2004.
- ROBBINS, Anthony. Poder sem Limites. São Paulo: Best Seller, 2001.
- WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O Corpo Fala. Petrópolis: Vozes, 2002.
- WEISINGER, Hendrie. Inteligência Emocional no Trabalho. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ANÁLISE DE SONETO

Jorge de Lima
(Análise poética de um soneto)

Por Andrey do Amaral - copyright (todos os direitos reservados)

“Mas, sobretudo, o que torna a poesia de Jorge de Lima resistente aos perigos que a cercam é justamente a qualidade lírica da sua imaginação.”
(Mário de Andrade)

“Jorge de Lima liquidou – espero que para sempre – com todo o regionalismo, tornando-se absurdo interpretá-lo em função do Nordeste.”
(Murilo Mendes)

“Não dividamos o mundo.
Dividamos Cristo:
todos ressucitarão iguais.”
(“A Divisão de Cristo”)


Breve biografia de Jorge de Lima

Jorge Matheos de Lima é alagoano nascido em União dos Palmares a 23 de abril de 1895. Na adolescência, vai para Maceió onde inicia sua carreira literária sob o estímulo dos regionalistas Raquel de Queiroz e José Lins do Rego, o que também podemos classificá-lo como tal, pois o regionalismo foi tema muito marcante em sua obra. Nessa fase regionalista ou nordestina, Jorge de Lima “traduz” a realidade brasileira em seus poemas, tal qual acontecera no Modernismo, principalmente no auge da brasilidade difundido na Semana de Arte Moderna em 1922.
Em seus poemas, aparecem: sua infância; a religiosidade; a miséria do povo; a paisagem, os hábitos e costumes nordestinos. A temática de Jorge de Lima é diversificada, pois percorreu por vários caminhos: poesia parnasiana, poesia épica, poesia regional, poesia mistico-católica. Ocorre em Jorge de Lima a “fusão do sobrenatural com o real, interseccionamento do concreto pelo onírico, simbiose do superficial com o oculto, – eis aí a síntese possível de seu conteúdo ”(Moisés, p. 465).
Estuda Medicina em Salvador, concluindo seus estudos no Rio de Janeiro (1914), defendendo a tese O destino higiênico do lixo no Rio de Janeiro. Retorna a seu estado natal para dedicar-se à carreira literária e à política. Porém acaba por lecionar e escrever. Foi professor de Literatura Luso-Brasileira na Universidade do Distrito Federal (1937). Precocemente, escreve o soneto “O Acendedor de Lampiões”. Volta mais uma vez para o Rio de Janeiro, dividindo sua vida entre a Política, a Literatura e a Medicina. Deixou poemas bastantes conhecidos como: “Essa Negra Fulô” e “Mulher Proletária”. Trabalhou com fotografia e escultura, editando um álbum de fotomontagem. Foi pintor e ensaísta. Faleceu no Rio de Janeiro a 15 de novembro de 1953.
Obra:
Poesia: XIV alexandrinos (1914), O Mundo do Menino Impossível (1925), Poemas (1927), Novos Poemas (1929), Poemas Escolhidos (1932), Tempo e Eternidade (em colaboração com Murilo Mendes, 1935), Quatro Poemas Negros (1937), A Túnica Inconsútil (1938), Poemas Negros (1947), Livro de Sonetos (1949), Obra Poética (incluindo os anteriores e as mais Anunciação e Encontro de Mira-Celi), (1950), Invenção de Orfeu (1952).
Romance: Salomão e as mulheres (1927), O Anjo (1934), Calunga (1935), A Mulher Obscura (1939), Guerra Dentro do Beco (1950).
Teatro: A Filha da Mãe D’Água (inédito), As Mãos (inédito), Ulisses (inédito).
Cinema: Os Retirantes (argumento de filme, inédito).


O Grande Desastre Aéreo de Ontem
Para Cândido Portinari

“Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violonista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. E velo a loucura abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o paraquedas, e a prima-dona como a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol .”
(Jorge de Lima)
Neste trabalho, o poema a ser analisado será o belíssimo soneto de Jorge de Lima descrito a seguir:

Essa pavana é para uma defunta
infanta, bem-amada, ungida e santa,
e que foi encerrada num profundo
sepulcro recoberto pelos ramos

de salgueiro silvestres para nunca
ser retirada desse leito estranho
em que repousa ouvindo essa pavana
recomeçada sempre sem descanso,

sem consolo, através do desenganos,
dor reveses e obstáculos da vida,
das ventanias que se insurgem contra

a chama inapagada, a eterna chama
que anima esta defunta infanta ungida
e bem-amada e para sempre santa.


1 – Determinação do ritmo:

LIMA, Jorge de. Antologia poética. Rio de Janeiro, Sabiá,1969.

_ U U _ U U U _ U U _
01: Essa pavana é pa//ra uma defunta
U _ U _ U _ U _ U _
02: infanta, bem-ama//da, ungida e santa,
U U _ U U _ U U U _
03: e que foi encerra//da num profundo
U _ U U U _ U U U _
04: sepulcro recober//to pelos ramos

U U _ U U _ U U U _
05: de salgueiro silves//tres para nunca
_ UU_ U U U _ U _
06: ser retira//da desse leito estranho
U U U _ U _ U_ U U _
07: em que repousa ouvin//do essa pavana
U U U _ U _ U U U _
08: recomeça//da sempre sem descanso,

U U _ U U _ U U U _
09: sem consolo, através// dos desenganos,
U U _ U U _ U U _
10: dos reveses e obstá//culos da vida,
U U U _ U U _ U _
11: das ventanias// que se insurgem contra

U _ U U U _ U _ U _
12: a chama inapaga//da, a eterna chama
U _ U U U _ U _ U _
13: que anima esta defun//ta infanta ungida
U _ U _ U UU _ U _
14: e bem-ama//da e para sempre santa.


Número distributivo Número representativo

01-1,4,5,7//10..........................................1,3,2//4
02-2,4,6//8,10..........................................2,4//2,2
03-3,6//8,10.............................................3,3//2,2
04-2,6//10................................................2,4//4

05-3,6//10.................................................3,3//4
06-1,4//8,10..............................................4,4//2
07-4,6//7,10..............................................4,2//4
08-4,6//10.................................................4,2//4

09-3,6//10..................................................3,3//4
10-3,6//10..................................................3,4//3
11-4//8,10..................................................4//2,2

12-2,6//8,10...............................................2,4//2,4
13-2,3//8,10...............................................2,4//2,4
14-2,4//8,10................................................4//4,2


CONSIDERANDOS:

No soneto de Jorge de Lima, um soneto sem título, chama-lo-emos de “Essa pavana”, apenas para não ficarmos na não-denominação de um soneto epigráfico. Talvez isso seja um ato intencional do autor, pois o corpo do poema constitui uma espécie de epitáfio, uma lápide tumular do sepulcro descrito no soneto. Com essa possível intenção, o ritmo contido no poema apresenta-se com um tom lento, soturno, triste, totalmente emotivo.
O ritmo preponderante é binário com 21 células métricas. O unitário aparece com 02 células, o terciário com 12 e o quartenário com 15.
O poema é distribuído em quatro blocos de estrofes. Nas duas primeiras estrofes, os versos apresentam uma seqüência de quatro versos, quadra ou quarteto; nas duas últimas, em três versos, tercetos.
As rimas são irregulares, porém a musicalidade no poema é deveras forte, pois trata-se de um soneto decassílabo. Mesmo não havendo regularidade na tonicidade do decassílabo, porque o esquema rítmico é variado (heróico, sáfico, gaita-galega e pentametro iâmbico), não há uma exaustiva tensão rítmica. “O decassílabo foi um dos esquemas, poemas de forma fixa, mais preferidos pelos poetas clássicos do século XVI (...). A partir dessa época, o decassílabo foi sendo enriquecido ritmicamente, com variantes de novos acentos em relação aos dois tipos iniciais ”(Goldstein, pp. 29-30), o heróico e o sáfico.
É mister observar no poema o ritmo poético dado a ele, sem, contudo, deixar de captar e compreender, com extrema atenção, a tríade indivisível do poema: cadência/significante/significado.


2 – Determinação do tema:

Jorge de Lima cita, no poema, um espaço físico bastante esdrúxulo: uma sepultura, num cemitério, certamente. E justo nos cemitérios há paz, serenidade, silêncio, calmaria e, principalmente, descanso. Descanso dos mortos, dos defuntos. Logo, o tema proposto por Jorge de Lima é o descanso que é o desejo da defunta.


3 – Análise da forma, partindo do tema:

Jorge de Lima, apesar de também se filiar à escola parnasiana, não utilizou as características desta a esse soneto (Essa pavana). Os versos são livres, não há narração nem descrição exageradas, o racionalismo não é hermético. Porém, a objetividade temática e o culto da forma – o soneto – (embora aqui apenas na estrutura básica: dois quartetos e dois tecetos) mantêm-se presente. Não há rimas ricas, raras, perfeitas. Certamente, Jorge de Lima, em sua trajetória poética, não se lembrou, ou se esqueceu, de Olavo Bilac – grande parnasiano, príncipe dos poetas brasileiros – desdenhando a lei parnasiana:

“Assim procedo. Minha pena
segue esta norma.
Por te servir, Deusa Serena,
Serena Forma.”

(Profissão de fé)

Mas Jorge de Lima percorreu por muitos caminhos: do parnasiano, com o livro XIV Alexandrinos (1914) , à poesia mais social (a exemplo do poema Mulher proletária); do regionalismo à religiosidade; da poesia filosófica aos negros poemas (Poemas negros – 1947).
Em sua fase religiosa, tem um enorme desejo de separação dos infortúnios e penúrias do mundo terreno. E é justamente isso que acontece com a sua “defunta”.
Tranqüila, ela – a defunta – repousa ouvindo uma música, provavelmente de origem italiana, em compasso binário ou quartenário, de andamento lento e majestoso , que dá concórdia, quietude e serenidade ao ambiente fúnebre da necrópole, em oposição ao agito do dia-a-dia fora dos cemitérios, livrando a falecida dos reveses e obstáculos da vida.
De caráter grave, a pavana é o que abranda o sofrer da defunta, pois esta foi recém-enterrada e o pesar ainda paira no desenvolvimento do soneto pela sua morte soturna. O adjetivo infanta, cujo sentido significa quem ainda está ou permanece na infância, revela o princípio do seu sono eterno, do seu fim. Entretanto, existe uma proximidade espiritual entre o eu-lírico e a defunta. Esta recebe daquele um tratamento carinhoso, fraterno. Pois a morta recebe uma adjetivação especial: infanta, bem-amada, ungida e santa.
Essa seqüência adjetiva remete-nos a atenção e o respeito do eu-lírico para com a defunta. Infanta: divindade pueril, candura verdadeira. Bem-amada: a pessoa ditosa, a querida, a predileta, o afeto particular. Ungida: mulher que foi consagrada com óleo bentificado, sendo, portanto, o ser que recebeu piedade religiosa, compaixão pessoal. E, por fim, santa: defunta virtuosa, sagrada, pura, inocente.
Sua santidade – a principal característica da morta – é confirmada na metáfora metonímica atribuída ao sepulcro que é o próprio templo da santa no qual está confinada eternamente em seu descanso a fim de que seja contemplada em louvores por outrem.
Os substantivos também têm sua importância dentro do tecido do poema.
O concreto leito é a particularização (metonímia) do templo da santa, que é o sepulcro. O leito é o altar da santa onde estão os ramos de salgueiro silvestres os quais adornam e transformam o simples altar em morada eutímica, pomposa, bela, magnífica e, principalmente, santificada. Pois, na poesia, “os substantivos abstratos indicam generalização; os concretos, particularização ”(Goldstein, p. 60). Nesse soneto de Jorge de Lima, há tanto substantivos abstratos como concretos, com predominância deste (defunta – derivação imprópria, adjetivo substantivado – ramos, sepulcro, leito, ventanias, chama, salgueiro) em relação àquele (descanso, consolo, reveses, obstáculos, desenganos).
O eu-lírico, portanto, apesar da ausência da defunta, sente-se bastante próximo dela, pois é freqüente o uso dos concretos no soneto. E, além de tudo, são os concretos que remetem ao eu-lírico alento, serenidade, calma. Num cemitério, perto duma cripta ou sepulcro, encontramos pessoas as quais procuram extremas tranqüilidade e paz; e é justamente o que o eu-poético encontra, pelo uso de tais concretos pelo autor.
Já os abstratos são mais genéricos. O consolo, o descanso, os desenganos, os reveses e os obstáculos da vida fizeram a defunta ser, certamente, encerrada num profundo sepulcro. Dos cinco abstratos, apenas um não tem uma denotação tão drástica, pesada: o consolo. Contudo, em sua carga semântica, há todo um sofrimento inerente em si mesmo, pois aquele que perde um ente querido, imediatamente, precisa de alento, de consolo. Consolo da pavana, a música a qual abranda o ambiente sepulcral do poema. Num funcionamento mecânico, a pavana é ouvida pela defunta debaixo da terra em razão do óbice de seu viver: os desenganos, os reveses e obstáculos da vida (elementos muito bem escolhidos por Jorge de Lima).
A pavana é um substantivo especial, pois é o elo entre as peculiaridades dos concretos e rudimentos genéricos e difusos dos abstratos.
No campo de análise dos verbos, é relevante atentar para o tempo dos versos a seguir:


l.01 “Essa pavana é para uma defunta
l.07 em que repousa ouvindo essa pavana
l.11 das ventanias que se insurgem contra
l.13 que anima esta defunta infanta ungida


Os verbos sublinhados dos versos citados estão no tempo presente do modo indicativo. Essa constância determina uma certa proximidade do eu-poético em relação à defunta. Nos versos, o momento presente – o tempo – é a afetividade e o carinho saudosos destinados ao cadáver infanto.
Verbos no pretérito determinam a saudade mais distante, a nostalgia triste, a lembrança perdida no tempo. No futuro, o distanciamento; às vezes, o inalcançável. O que não é o caso do soneto, pois não há verbos no futuro. Porém, há um verbo omitido no futuro do presente (indicativo) no último verso, dentro de uma oração adjetiva, também omitida, revelado pela aplicação do advérbio de tempo sempre. São as ausências significativas. O advérbio de tempo, empregado no poema, remete-nos uma idéia de tempo futuro:
e bem-amada e para sempre santa.

Essas elipses revelam a confirmação futura do que já foi dito, sem intenção, no segundo verso:

Infanta, bem-amada, ungida e santa

Um presságio futorológico. A futorologia, presente nas entrelinhas misteriosas do soneto, traz à tona uma gradação crescente a qual revela o destino de santidade da defunta desde a sua morte (linha 02) até a sua eternidade (linha 14).
O que não é diferente com a locução verbal no passado (foi encerrada). Ela é totalmente significativa, pois indica que o fato foi consumado, não existe caminho para a volta: “a vida foi encerrada”. Essa forma composta, no soneto, “é usada ainda para confirmar-se uma ordem, ou ao concluir-se um discurso ”(Sacconi, p. 234) ,ou ainda um ato acontecido. Não poderia estar omitida como o verbo no futuro. A locução foi encerrada significa o início de todo um caminho a fim de que ela chegue à sua santidade.
É mister e relevante ressaltar, brevemente, o aspecto do verbo no soneto de Jorge de Lima. O “aspecto é a duração do processo verbal. Ao aspecto interessa a noção de início, curso, ou mesmo um instante da ação verbal. Há verbos que exprimem ação de longa duração (...) e verbos que exprimem ação de curta duração (...) os mais variados matizes de duração do processo verbal podem estar continuados na própria significação do verbo (...) na flexão temporal (Sacconi, p. 194) (...)”.
Em Essa pavana é para uma defunta o aspecto verbal é o presente permansivo ou universal e durativo. Permansivo porque é uma verdade permanente e certa: a música é para a falecida. Durativo porque a música começa a tocar num passado próximo ao sepultamento da defunta

em que repousa ouvindo essa pavana
recomeçada sempre sem descanso,

sem consolo,...

O gerúndio de repousa ouvindo indica uma idéia de continuidade da ação. O ouvir da defunta é, de fato, o “combustível” para o seu descanso. O alento para o seu fim mórbido.
Os demais verbos no presente (anima, insurgem, repousa) determinam a total passividade da morta em relação ao meio. Porém, não uma passividade submissa e, sim, uma passividade solitária e individual. Uma subordinação ao seu estado de morta a qual será revertida pelo último verso (e bem-amada e para sempre santa.)
Há no texto uma curiosidade significativa: o uso dos particípios como qualificadores dos substantivos, a derivação imprópria, (sepulcro recoberto, pavana recomeçada, chama inapagada). Essa forma nominal dos verbos – o particípio passado – é um recurso bastante usado por Jorge de Lima. Quiçá, para fugir dos padrões estabelecidos pela gramática normativa, pois, quando se “libertara” da estética parnasiana, Jorge de Lima cultivou bem nossa brasilidade, influenciado pela época da Semana de Arte Moderna (1922); o regionalismo, expressando sua infância, deixando de lado qualquer regra, seja de cunho gramatical, seja de cunho social, seja de cunho religioso, seja de cunho pessoal...
Como poeta modernista, as regras muitas vezes ficaram para trás. É claro que o texto analisado é um soneto, muito cultivado pelos parnasianos. Entretanto, aqui sem tantas determinações, mesmo porque os modernistas também usavam o soneto, porém com um quê sarcástico. Jorge de Lima, como tantos outros, obliterou das regras e das marcas parnasianas em função do encanto e da importância do Modernismo. Ele não resistiu e tornou-se um autêntico poeta modernista, ou desparnasiano. “Ao aceitar o Modernismo, seu verso se alonga em tons proféticos e exclamativos, algo parecido com os versos eloqüentes com que Castro Alves condena a escravidão ”(Rodrigues, p.177).
Todavia, ao contrário de Vinicius de Moraes que lera uma resenha do livro de Willian Strunk Jr., The Elements of Style, a qual dizia que “uma frase não deve conter palavras desnecessárias ”, como adjetivos e advérbios. “O escritor deve insistir no emprego do substantivo expressivo que contém em já si um elemento de caracterização. Evita sobretudo carregar a frase de adjetivos, como quem carrega um fardo ”(Lapa)
Jorge de Lima utilizou, em seu soneto com maestria, uma cascata de adjetivos e dois advérbios antitéticos: nunca, empregado no segundo quarteto (linha 05) e sempre, também no segundo quarteto (linha 08), sendo repetido – iteração – no último terceto (linha 14). Dois advérbios (nunca e sempre). Uma certeza: a saudade do eu-lírico pela defunta a qual descansa em

sepulcro recoberto pelos ramos

de salgueiro silvestres para nunca
ser retirada desse leito estranho

O advérbio “negativo” de tempo, nunca, determina o distanciamento espiritual entre os dois (o eu-lírico e a defunta). Pois, em momento algum – nunca – ela sairá do leito o qual, para ele, é estranho, anormal, misterioso. Mas, pelo menos, de corpo permanecem juntos.
Em contrapartida, o advérbio “afirmativo” de tempo – sempre – relata que a defunta será, além de outros louváveis encômios, para sempre santa. O uso do advérbio sempre tem como fim a eternização de sua característica principal: a santidade (...para sempre santa.), reforçado pelos dígrafos vocálicos em e an, dando idéia de continuidade progressiva e eterna, juntamente com a belíssima aliteração musical de /p/, /r/, /s/, /m/ e /n/.
A utilização dos adjetivos é um tanto curiosa. Há adjetivos cuja conotação, e até mesmo sua denotação, é lânguida, definhando-se aos poucos num sentido mórbido-santo. Talvez até pela perfeita ou casual escolha, pelo poeta, dos substantivos concretos acompanhados dos adjetivos de funestação indissolúvel (leito estranho, profundo sepulcro, ramos de salgueiro silvestres).
Por oposição à languidez dos adjetivos citados anteriormente, há no texto a tríade de esperança de vida do eu-lírico pela defunta: a chama inapagada (artigo/substantivo/adjetivo), reafirmada pelo seu aposto: a eterna chama.
A chama inapagada é a metáfora que finaliza o soneto. A chama, fraca ou forte, resiste à força das ventanias que se insurgem contra ela, a eterna chama. Os qualificadores inapagada e eterna significam a imortalidade da pavana que preserva sua vivacidade animando a defunta, posto que ‘animar’ significa “dar alma ou vida ”. Assim a defunta, mesmo num profundo sepulcro, resiste aos óbices que nascem a fim de deixá-la desalmada, soturna. Porém a chama vive, não está apagada. Ela permanece acesa e inapagada.
Toda adjetivação presente no tecido do poema, acerca da morta, é relevante. Os adjetivos possuem carga semântica afetiva. À defunta, são atribuídas qualidades crescentes (infanta, bem-amada, ungida e santa), revelando a intenção do eu-lírico de carinho e veneração por ela. Essa seqüência é a gradação crescente, começando na primeira quadra, com uma longa pausa no meio do soneto, e se encerrando no segundo terceto.
Outro recurso bastante utilizado no poema é o encadeamento ou cavalgamento, ou ainda “enjambement” (substantivo francês). O encadeamento no soneto de Jorge de Lima não é confuso nem traz ao texto ambigüidade, como é comum em muitos poemas quando contêm o “enjambement”, ao contrário, chega até ter características lúdicas, como é o caso do encadeamento do primeiro verso

Essa pavana é para uma defunta
infanta, bem-amada, ungida e santa,

O adjetivo infanta retira toda carga tenebrosa e fúnebre do substantivo, pois aquele, significando candura pueril, pureza, extingue de imediato o sentido funesto de uma primeira leitura do poema com o cavalgamento do primeiro verso. Mesmo existindo, no soneto, vocábulos horrendos, sua significação pávida está drasticamente presa por três fortes barras de palavras, três versos. Uma no início do soneto

infanta, bem-amada, ungida e santa,

e outra no final, servindo de base para o peso dos signos nefastos os quais preenchem o poema

que anima esta defunta infanta ungida
e bem-amada e para sempre santa.

E por que a primeira frase (Essa pavana é para uma defunta) não possui vocábulos esbatidos, tênues? Simples; no primeiro verso, dá-se a apresentação das duas principais vertentes do soneto: a pavana e a defunta. Uma espécie de apresentação dos termos a serem desenvolvidos durante a leitura dos versos. Sem nenhum elemento qualificador, eles, em si, trazem uma enigmática significação até o final do primeiro verso, o que acabará com o sentido a eles destinados no decorrer dos versos seguintes, o “enjambement”.
Em princípio, temos um certo distanciamento do eu-lírico para com a defunta., pois o pronome demonstrativo “essa” e o artigo indefinido “uma” determinam o aparente afastamento do eu-poético à defunta. Essa asserção absorta gera um conflito, entrando em choque com a seqüência adjetiva contida nas extremidades do soneto (linha 02 e linhas 13 e14). A força continuada em série dos adjetivos, destinados à morta, aniquila todo o pesar do primeiro verso, bem como também dos substantivos funéreos e agônicos. Porém, o que mais estabelece o abrandamento dos infortúnios presentes no soneto é, sem dúvida alguma, a pavana. O descanso eterno da defunta está garantido pela música serena descrita no soneto: a pavana.


4 – análise isotópica semêmica das palavras da cesura:

01 - /para/: preposição, indicando fim, finalidade.

02 - /amada/: adjetivo revelador das qualidades da defunta. Ela, realmente, é querida, estimada .

03 - /encerrada/: particípio passado do verbo encerrar cujos significados denotativos se enquadram bem ao sentido dessa forma nominal. “1. Meter ou guardar (em lugar que se fecha) (...) 5. Guardar ou fechar dentro de (algo ou, fig., alguém) (...) 6. Fechar-se; enclausurar-se .”

04 - /recoberto/: outro particípio, porém funcionando como qualificador, adjetivo, a fim de dar mais expressividade pela regressão imprópria da palavra; serve de elo entre o substantivo sepulcro e as folhagens, que abrandam o “peso” da sepultura.

05 - /silvestres/: adjetivo derivado de selva. Qualifica uma locução adjetiva, de salgueiro, representando o grilhão (verde, selvagem) que determina que a defunta estará para todo o sempre dentro de sua morada sepulcral. Os ramos do salgueiro silvestres, arbustos de pouca altura, cujos folhagens fortes e rasteiras, presas ao sepulcro, confinam a defunta à eternidade dentro do estranho cárcere.

06 - /retirada/: novamente outro particípio, que começa sua significação no verso anterior com o advérbio nunca. A defunta, pelo uso do particípio passado, está confinada dentro de seu esquife anormal, seu sepulcro fora do comum, amenizado pelo eufemismo de leito estranho.

07 - /ouvindo/: mais uma forma nominal do verbo como cesura. O gerúndio, diferente dos particípios, faz com que a ação verbal não tenha fim, persista numa infinita amplidão, bem marcante no verso 07.

08 - /recomeçada/: começar novamente. A pavana está a todo tempo recomeçando, sem descanso, em completa melancolia.

09 - /através/: núcleo da locução prepositiva (através + de), conjunto de duas palavras. Serve de caminho para a passagem da pavana a qual alenta o sono da defunta que repousa ouvindo os sons melancólicos da pavana.

10 - /obstáculos/: o fim da gradação decrescente (sem descanso, sem consolo, através dos desenganos e obstáculos da vida). O anticlímax. O óbice à santidade da defunta ungida e santa. Os obstáculos, substantivo abstrato, fazem uma ligação intínseca com a cesura do verso 11, ventanias.

11 - /ventanias/: substantivo feminino carregado de conotações lúgubres e medonhas, sendo o fecho conseqüencial dos outros abstratos citados antes das ventanias.

12 - /inapagada/: adjetivo que se opõe aos significantes de significados negativos. A chama sobressai nos abstratos; tem mais força; mantém-se acesa; resiste à torrencial ventania.

13 - /defunta/: adjetivo substantivado. A mudança da classe gramatical desse significante determina o esquecimento, a saudade contida no significado. Porém , o qual será personificado e louvado com esmero.

14 - /para/: preposição que denota finalidade ao destino da defunta: ser para sempre santa. Esse propósito é a eternização revelada no último verso pela preposição para.


FIGURAS DE LINGUAGEM RELEVANTES

Gradação crescente: “infanta, bem-amada, ungida e santa” (v.02).
Metáfora: “infanta, bem-amada, ungida e santa” (v.02).
Aliteração: “infanta, bem-amada, ungida e santa” (v.02).
Assonância: “infanta, bem-amada, ungida e santa” (v.02).
Hipérbole: “foi encerrada” (v.03).
Catacrese: “foi encerrada” (v.03).
Hipérbato: “profundo/sepulcro” (v. 03/04).
Antonomásia: “leito” (v.06).
Metonímia: “leito” (v.06).
Eufemismo: “leito estranho” (v.06), “ventanias” (v.11).
Prosopopéia: “a chama eterna/que anima” (v. 12/13).
Iteração: “sem” (v.08), “sem” (v. 09).
Iteração: “dos” (v.09), “dos” (v. 10).
Iteração: “chama” (v.12).
Hipérbato: “a eterna chama” (v.12).


5 – Determinação da estrutura:

1º segmento: (da linha 01, “Essa pavana”, até a linha 02, “ungida e santa”): há nesse trecho a explanação da pavana e da defunta que estarão presentes ao longo do poema.

2º segmento: (da linha 03, “e que foi encerrada”, até a linha 04, “pelos ramos”): nos versos 03 e 04, encontramos a descrição, não detalhada, de onde a falecida foi enterrada, ou encerrada, num profundo sepulcro.

3º segmento: (da linha 05, “de salgueiro”, até a linha 06, “leito estranho”): novamente há um detalhamento do sepulcro: leito estranho, agasalhado e protegido por folhagens rasteiras.

4º segmento: (da linha 07, “em que repousa”, até a linha 10, “da vida”): o momento mais soturno do poema é encontrado nesse segmento. Encontramos nesse trecho os infortúnios e desditas da vida. Da vida morta da defunta, a qual descansa a ouvir a patavana.

5º segmento: (linha 11, “das ventanias que se insurgem contra”): a menção das ventanias é, quiçá, o grande empecilho que surgirá contra a chama a qual vai animar a morta, a defunta. A morta não é cosmopolitana; é, sim, santa. Não se habituará aos estorvos que lhe cercam, Mas está sob proteção divina; recebeu unção com óleo bentificado, santo. A defunta está ungida.

6º segmento: (da linha 12, “a chama inapagada”, até a linha 14, “ sempre santa.): o mote de exaltação é pleonástico. A adjetivação de louvores, presente no primeiro segmento, é novamente repetida no sexto e no último segmentos. Porém aqui surge outra seqüência qualificadora, além dos atributos já destinados à defunta. A nova dupla de adjetivos agora qualifica a chama: inapagada e eterna. Essa adjetivação vivificadora acerca da chama é o fecho que determina a amplidão de imortalidade da defunta, principalmente pelo penúltimo vocábulo, o advérbio de tempo sempre.

Obs.: não se pode fazer uma perfeita determinação da estrutura, pois toda seqüência dos versos é construída por “enjambement”. Portanto, o sentido do primeiro verso só se completa no segundo; o sentido do segundo, no terceiro e assim até o último verso do soneto.

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BIBLIOGRAFIA

GOLDSTEIN, Norma. Versos, sons, ritmos. 9.ed. São Paulo, Ática, 1995.
LAPA, M. Rodrigues. Estilística da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro,
Acadêmica, 1959.
LIMA, Jorge de. Antologia poética. Rio de Janeiro, Sabiá, 1969.
LIMA, Jorge de. Poesia completa. 2.ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980. v. 1.
MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. 20. ed. São Paulo, Cultrix, 1997.
MORAES, Vinicius de. Para viver um grande amor. São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
RODRIGUES, A. Medina et. alii. Antologia da literatura brasileira – o modernismo. São Paulo, Marco,1979.
SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática – teoria e prática. 20. ed. São Paulo, Atual, 1994.

domingo, 29 de agosto de 2010

CURSO DE LETRAS


Você, estudante de Letras, já parou para pensar no significado do brasão que muitos estudantes do curso ostentam no peito?

 Temos também a coruja representando o curso de Letras. Seu significado é  conectar com todas as partes do ser, e permite vencer o temor e aprender a qualidade da consciência do existir e do fluir em todos os níveis.

A coruja trás como significado "o ver a totalidade", ou seja, ela, através da sabedoria, nos dá a possibilidade do ver as coisas na sua totalidade, o consciente e o inconsciente. Esse animal tem a capacidade de ver na escuridão, o que significa também ampliação dos limites da percepção. A coruja conecta com todas as partes do ser, e permite vencer o temor e aprender a qualidade da consciência do existir e do fluir em todos os níveis.
                         

Os poderes da coruja são a clarividência, a projeção astral e a magia. Na essência, a coruja vê o que os outros não vêem, e pode ter mais percepções a respeito de outras pessoas do que de si mesma. Mas mesmo assim, o poder desse animal pode ser invocado para que a pessoa desperte a capacidade de olhar para si mesma, em busca de uma visão mais íntegra a respeito de si, ou de aspectos que ainda permanecem obscuros e precisam ser vistos. Na tradição Guarani, o Grande Espírito, Pai-Mãe Criador, Ñamandu, manifestou-se na forma de um colibri e também na forma de uma coruja, criando a sabedoria.

 A cantora Sandy também é Letróloga.
Na semana passada sexta-feira 23/2010, ela participa da colação de grau no anfiteatro do Colégio Dom Barreto. A cantora termina a faculdade de Letras e com o diploma na mão, poderá ser professora, tradutora ou redatora de textos.

Não é porque fiz letras, mas considero o curso de Letras um dos mais belos curso, pois ele forma pessoas para a vida não apenas para exercer uma profissão.

                    FIZ LETRAS  E SE PUDESSE FARIA LETRAS NOVAMENTE...