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domingo, 8 de agosto de 2010

Resenha do Livro a Cama de Lygia Bojunga



                                A Cama


                                                     Natália Franciele Leandro da Silva

BOJUNGA,Lygia.”A cama”.4 ed.-Rio de Janeiro:Casa Lygia Bojunga,2006.

O livro “A cama” é mais um grande sucesso escrito por Bojunga.Ela nasceu em Pelotas,no Rio Grande do Sul; ainda criança se mudou para o Rio;há vinte e três anos passa um tempo em Londres e considera o Rio de Janeiro o seu chão verdadeiro.Bojunga é casada com um inglês; teve várias profissões, trabalhou como atriz,tradutora e autora em rádio, teatro e televisão além de escrever vinte livros que foram traduzidos em dezenove idiomas. A autora foi a primeira escritora ,fora do eixo Europa-Estados Unidos , a ganhar o prêmio Hans Christian Anderson que é conhecido como prêmio Nobel da Literatura voltada para crianças e jovens.Após isso, é consagrada internacionalmente ao receber –em maio de 2004, na Suécia- o prêmio ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award) a maior premiação até hoje conferida a Literatura para crianças e jovens.Em 2004, no Brasil, é eleita personalidade literária do ano,recebendo o Prêmio “Fazdiferença” O Grobo. Em 2002 Bojunga publicou Retrato de Carolina inaugurando a Editora Lygia Bojunga criada com a intenção de reunir na Casa os personagens da autora.
No livro “A cama” Bojunga faz da cama o núcleo de onde se desenvolve toda a história.Ela inseri sempre novos personagens com historias paralelas fazendo com que as suas vidas se cruzem através da cama que é uma herança de família que passa a fazer parte da vida das personagens prendendo assim a atenção do leitor.Seu livro contempla situações do cotidiano abordando vários temas como: a pobreza, fome, supertições relações familiares, paixões além da relação de paixão precoce entre crianças.No decorrer do texto entre as falas das personagens há algumas expressões coloquiais da língua como:” vi ele, vou m’embora,t’aqui,pr’aqui”.Este diálogo entre os personagens há sempre uma volta ao passado não havendo na narrativa um tempo cronológico além disso a hétória se desenvolve em vários espaços.
Bojunga ao mostrar na narrativa a vida cotidiana das personagens acaba levando o leitor a uma reflexão crítica da vida social, na qual há tanta fome e pobreza, as relações entre pais e filhos nas quais não há dialogo além de nos mostrar como as nossa crianças estão cada vez mais cedo tendo relações amorosas. A linguagen usada pela autora não é apropriada para o seu público, pois utiliza expressões de baixa categoria:”porra,merda,da puta que o pariu”(pág,9-49), além de mostrar no decorrer da narrativa a personagem Petúnia com atitudes que não são apropriadas para uma criança de 11 anos: como ver filmes proibido para menores tarde da noite(pág,160).O livro também apresenta algumas passagens, a qual faz suscitar o desejo sexual precoce nas crianças(pág,38 a 39,161).
“A cama” é um livro gostoso de ler,pois é de fácil entendimento e apresenta uma historia divertida onde os personagens buscam sempre uma maneira de ter a posse da cama que é o personagem principal do livro fazendo o leitor ficar na expectativa.


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Graduanda do IV Período de Letras das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão (FAINTVISA).

Resenha de Poemas do Livro a Clepsidra de Camilo Pessanha



                                       O SÍMBOLO E A DOR


                      Por Natália Franciele Leandro da Silva


Camilo Pessanha nasceu em Coimbra, em 14 de outubro de 1885. Escreveu seu primeiro poema “Lúbrica”, concluiu o curso de Direito, colaborou com a revista O Intermezzo e também no jornal O Novo Tempo.Em 1894, vai para Macau. Durante esse tempo publica no jornal as suas estranhas composições. Na sua última visita a Portugal para tratamento de saúde, João de Castro Osório pediu para que Pessanha transpusesse os poemas que sabia de memória.Dessa forma, foi produzida a Clepsidra, (PESSANHA, Camilo. Clepsidra.São Paulo. Ateliê, 2009). Camilo Pessanha faleceu em Macau em 1926.
A Clepsidra foi um marco no Simbolismo português e essa obra que reuni todos os poemas de Camilo Pessanha o consagrou como o maior poeta Simbolista português. Esse título foi bem colocado, pois Pessanha conseguia transcender do mundo material para o inconsciente, característica típica do Simbolismo. Do ponto de vista formal, a poesia de Pessanha destaca-se pela musicalidade, pela sinestesia, metáforas, símbolos, ambiguidades e o uso de imagens auditivas e visuais. Já os seus temas são relacionados ao pessimismo que o autor tinha sobre a vida, a Dor, a morte e a solidão. Nos poemas analisados a Dor existencial, a presença da Morte estão sempre presentes. Pessanha tinha o pensamento schopenhaueriano de que o mundo é um caos e que a única certeza do ser humano é a morte.O eu lírico tenta fugir da dor, mas é inútil porque para ele o futuro traz a certeza de continuar preso a essa Dor ( Floriram por engano as rosas bravas/ No inverno: veio o vento desfolha-las...), fazendo com que o poeta entre em um ambiente de caos tentando entender a si mesmo, a fugacidade da vida, a dolorosa consciência de que a realidade não passa de imagens passageiras, e ao não encontrar respostas Pessanha faz uso de símbolos e sensações para traduzir uma atitude de dúvida, ansiedade e desencanto pela vida ( Cansei-me de tentar o teu segredo:/No teu olhar sem cor,- frio escalpelo,-/O meu olhar quebrei, a debate-lo,/Como a onda na costa dum ro- chedo).Aliado ao conceito de símbolo, encontramos a arte da sugestão que em Pessanha se traduz na utilização da técnica impressionista, nas imagens visuais ( Tatuagens complicadas do meu peito:/ Vermelho, um lis;/ Em campo azul) e sonoras ( As vozes com que há pouco me enganavas?/-Perdida voz que de entre as mais se exila,/ - Festões de som dissimulando a hora/Só incessante,um som de flauta chora), com a finalidade de sugerir sensações e convidar o leitor a interpretar estados de alma, sem nunca se deter na descrição que levaria à objetividade. Na poesia de Camilo Pessanha o símbolo da visão passa a ser um instrumento através do qual o poeta capta toda a Dor, é a forma que ele tem de fazer uma ligação entre o eu e o mundo exterior. Dessa forma, o caos que Pessanha refletia vinha do caos que passava Portugal na época devido a reação contra o materialismo e o cientificismo. Ele consegue fazer uma ligação entre o seu inconsciente e o inconsciente coletivo assim Pessanha não exprimia só o que passava dentro de si, mas o que se passava dentro das pessoas que não tinham como se expressar e nele todo esse caos era expressado através dos símbolos.
A obra Clepsidra de Camilo Pessanha é muito agradável para ler, pois tem uma linguagem conotativa que nos dar o direito a várias interpretações. Dessa forma, o que resta ao leitor é a intuição para tentar achar a idéia geral que compõem o texto.