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segunda-feira, 4 de julho de 2011

                   Como Estruturar um Texto Argumentativo




1. O texto argumentativo

COMUNICAR não significa apenas enviar uma mensagem e fazer com que nosso ouvinte/leitor a receba e a compreenda. Dito de uma forma melhor, podemos dizer que nós nos valemos da linguagem não apenas para transmitir idéias, informações. São muito freqüentes as vezes em que tomamos a palavra para fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite o que estamos expressando (e não apenas compreenda); que creia ou faça o que está sendo dito ou proposto.

Comunicar não é, pois, apenas um fazer saber, mas também um fazer crer, um fazer fazer. Nesse sentido, a língua não é apenas um instrumento de comunicação; ela é também um instrumento de ação sobre os espíritos, isto é, uma estratégia que visa a convencer, a persuadir, a aceitar, a fazer crer, a mudar de opinião, a levar a uma determinada ação.

Assim sendo, talvez não se caracterizaria em exagero afirmarmos que falar e escrever é argumentar.

TEXTO ARGUMENTATIVO é o texto em que defendemos uma idéia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procurando (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite-a, creia nela.

Num texto argumentativo, distinguem-se três componentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas.

TESE, ou proposição, é a idéia que defendemos, necessariamente polêmica, pois a argumentação implica divergência de opinião.

A palavra ARGUMENTO tem uma origem curiosa: vem do latim ARGUMENTUM, que tem o tema ARGU , cujo sentido primeiro é "fazer brilhar", "iluminar", a mesma raiz de "argênteo", "argúcia", "arguto".

Os argumentos de um texto são facilmente localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta por quê? (Ex.: o autor é contra a pena de morte (tese). Porque ... (argumentos).

As ESTRATÉGIAS não se confundem com os ARGUMENTOS. Esses, como se disse, respondem à pergunta por quê (o autor defende uma tese tal PORQUE ... - e aí vêm os argumentos).

ESTRATÉGIAS argumentativas são todos os recursos (verbais e não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ouvinte, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc.

Os exemplos a seguir poderão dar melhor idéia acerca do que estamos falando.

A CLAREZA do texto - para citar um primeiro exemplo - é uma estratégia argumentativa na medida em que, em sendo claro, o leitor/ouvinte poderá entender, e entendo, poderá concordar com o que está sendo exposto. Portanto, para conquistar o leitor/ouvinte, quem fala ou escreve vai procurar por todos os meios ser claro, isto é, utilizar-se da ESTRATÉGIA da clareza. A CLAREZA não é, pois, um argumento, mas é um meio (estratégia) imprescindível, para obter adesão das mentes, dos espíritos.

O emprego da LINGUAGEM CULTA FORMAL deve ser visto como algo muito es-tra-té-gi-co em muitos tipos de texto. Com tal emprego, afirmamos nossa autoridade (= "Eu sei escrever. Eu domino a língua! Eu sou culto!") e com isso reforçamos, damos maior credibilidade ao nosso texto. Imagine, estão, um advogado escrevendo mal ... ("Ele não sabe nem escrever! Seus conhecimentos jurídicos também devem ser precários!").

Em outros contextos, o emprego da LINGUAGEM FORMAL e até mesmo POPULAR poderá ser estratégico, pois, com isso, consegue-se mais facilmente atingir o ouvinte/leitor de classes menos favorecidas.

O TÍTULO ou o INÍCIO do texto (escrito/falado) devem ser utilizados como estratégias ... como estratégia para captar a atenção do ouvinte/leitor imediatamente. De nada valem nossos argumentos se não são ouvidos/lidos.

A utilização de vários argumentos, sua disposição ao longo do texto, o ataque às fontes adversárias, as antecipações ou prolepses (quando o escritor/orador prevê a argumentação do adversário e responde-a), a qualificação das fontes, a utilização da ironia, da linguagem agressiva, da repetição, das perguntas retóricas, das exclamações, etc. são alguns outros exemplos de estratégias.



2. A estrutura de um texto argumentativo


2.1 A argumentação formal

A nomenclatura é de Othon Garcia, em sua obra "Comunicação em Prosa Moderna".

O autor, na mencionada obra, apresenta o seguinte plano-padrão para o que chama de argumentação formal:

Proposição (tese): afirmativa suficientemente definida e limitada; não deve conter em si mesma nenhum argumento.
Análise da proposição ou tese: definição do sentido da proposição ou de alguns de seus termos, a fim de evitar mal-entendidos.
Formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados estatísticos, testemunhos, etc.
Conclusão.

Observe o texto a seguir, que contém os elementos referidos do plano-padrão da argumentação formal.



Gramática e desempenho Lingüístico


Pretende-se demonstrar no presente artigo que o estudo intencional da gramática não traz benefícios significativos para o desempenho lingüístico dos utentes de uma língua.


Por "estudo intencional da gramática" entende-se o estudo de definições, classificações e nomenclatura; a realização de análises (fonológica, morfológica, sintática); a memorização de regras (de concordância, regência e colocação) - para citar algumas áreas. O "desempenho lingüístico", por outro lado, é expressão técnica definida como sendo o processo de atualização da competência na produção e interpretação de enunciados; dito de maneira mais simples, é o que se fala, é o que se escreve em condições reais de comunicação.


A polêmica pró-gramática x contra gramática é bem antiga; na verdade, surgiu com os gregos, quando surgiram as primeiras gramáticas. Definida como "arte", "arte de escrever", percebe-se que subjaz à definição a idéia da sua importância para a prática da língua. São da mesma época também as primeiras críticas, como se pode ler em Apolônio de Rodes, poeta Alexandrino do séc.II ª C.:


"Raça de gramáticos, roedores que ratais na musa de outrem, estúpidas lagartas que sujais as grandes obras, ó flagelo dos poetas que mergulhais o espírito das crianças na escuridão, ide para o diabo, percevejos que devorais os versos belos".


Na atualidade, é grande o número de educadores, filólogos e lingüistas de reconhecido saber que negam a relação entre o estudo intencional da gramática e a melhora do desempenho lingüístico do usuário. Entre esses especialistas, deve-se mencionar o nome do Prof. Celso Pedro Luft com sus obra "Língua e liberdade: por uma nova concepção de língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995). Com efeito, o velho pesquisar apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística, reúne numa mesma obra convincente fundamentação para seu combate veemente contra o ensino da gramática em sala de aula. Por oportuno, uma citação apenas:


"Quem sabe, lendo este livro muitos professores talvez abandonem a superstição da teoria gramatical, desistindo de querer ensinar a língua por definições, classificações, análises inconsistentes e precárias hauridas em gramáticas. Já seria um grande benefício". (p. 99)


Deixando-se de lado a perspectiva teórica do Mestre, acima referida suponha-se que se deva recuperar lingüisticamente um jovem estudante universitário cujo texto apresente preocupantes problemas de concordância, regência, colocação, ortografia, pontuação, adequação vocabular, coesão, coerência, informatividade, entre outros. E, estimando-lhe melhoras, lhe fosse dada uma gramática que ele passaria a estudar: que é fonética? Que é fonologia? Que é fonemas? Morfema? Qual é coletivo de borboleta? O feminino de cupim? Como se chama quem nasce na Província de Entre-Douro-e-Minho? Que é oração subordinada adverbial concessiva reduzida de gerúndio? E decorasse regras de ortografia, fizesse lista de homônimos, parônimos, de verbos irregulares ... e estudasse o plural de compostos, todas regras de concordância, regências ... os casos de próclise, mesóclise e ênclise. E que, ao cabo de todo esse processo, se voltasse a examinar o desempenho do jovem estudante na produção de um texto. A melhora seria, indubitavelmente, pouco significativa; uma pequena melhora, talvez, na gramática da frase, mas o problema de coesão, de coerência, de informatividade - quem sabe os mais graves - haveriam de continuar. Quanto mais não seja porque a gramática tradicional não dá conta dos mecanismos que presidem à construção do texto.


Poder-se-á objetar que o ilustração de há pouco é apenas hipotética e que, por isso, um argumento de pouco valor. Contra argumentar-se-ia dizendo que situação como essa ocorre de fato na prática. Na verdade, todo o ensino de 1° e 2° graus é gramaticalista, descritivista, definitório, classificatório, nomenclaturista, prescritivista, teórico. O resultado? Aí estão as estatísticas dos vestibulares. Valendo 40 pontos a prova de redação, os escores foram estes no vestibular 1996/1, na PUCRS: nota zero: 10% dos candidatos, nota 01: 30%; nota 02: 40%; nota 03: 15%; nota 04: 5%. Ou seja, apenas 20% dos candidatos escreveram um texto que pode ser considerado bom.


Finalmente pode-se invocar mais um argumento, lembrando que são os gramáticos, os lingüistas - como especialistas das línguas - as pessoas que conhecem mais a fundo a estrutura e o funcionamento dos códigos lingüísticos. Que se esperaria, de fato, se houvesse significativa influência do conhecimento teórico da língua sobre o desempenho? A resposta é óbvia: os gramáticos e os lingüistas seriam sempre os melhores escritores. Como na prática isso realmente não acontece, fica provada uma vez mais a tese que se vem defendendo.


Vale também o raciocínio inverso: se a relação fosse significativa, deveriam os melhores escritores conhecer - teoricamente - a língua em profundidade. Isso, no entanto, não se confirma na realidade: Monteiro Lobato, quando estudante, foi reprovado em língua portuguesa (muito provavelmente por desconhecer teoria gramatical); Machado de Assis, ao folhar uma gramática declarou que nada havia entendido; dificilmente um Luis Fernando Veríssimo saberia o que é um morfema; nem é de se crer que todos os nossos bons escritores seriam aprovados num teste de Português à maneira tradicional (e, no entanto eles são os senhores da língua!).


Portanto, não há como salvar o ensino da língua, como recuperar lingüisticamente os alunos, como promover um melhor desempenho lingüístico mediante o ensino-estudo da teoria gramatical. O caminho é seguramente outro.



Gilberto Scarton







Eis o esquema do texto em seus quatro estágios:


Primeiro estágio: primeiro parágrafo, em que se enuncia claramente a tese a ser defendida.


Segundo estágio: segundo parágrafo, em que se definem as expressões "estudo intencional da gramática" e "desempenho lingüístico", citadas na tese.


Terceiro estágio: terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo e oitavo parágrafos, em que se apresentam os argumentos.


Terceiro parágrafo: parágrafo introdutório à argumentação.
Quarto parágrafo: argumento de autoridade.
Quinto parágrafo: argumento com base em ilustração hipotética.
Sexto parágrafo: argumento com base em dados estatísticos.
Sétimo e oitavo parágrafo: argumento com base em fatos.
Quarto estágio: último parágrafo, em que se apresenta a conclusão.



2.2 A argumentação informal

A nomenclatura também é de Othon Garcia, na obra já referida.

A argumentação informal apresenta os seguintes estágios:

Citação da tese adversária
Argumentos da tese adversária
Introdução da tese a ser defendida
Argumentos da tese a ser defendida
Conclusão
Observe o texto exemplar de Luís Alberto Thompson Flores Lenz, Promotor de Justiça.



Considerações sobre justiça e eqüidade


Hoje, floresce cada vez mais, no mundo jurídico a acadêmico nacional, a idéia de que o julgador, ao apreciar os caos concretos que são apresentados perante os tribunais, deve nortear o seu proceder mais por critérios de justiça e eqüidade e menos por razões de estrita legalidade, no intuito de alcançar, sempre, o escopo da real pacificação dos conflitos submetidos à sua apreciação.


Semelhante entendimento tem sido sistematicamente reiterado, na atualidade, ao ponto de inúmeros magistrados simplesmente desprezarem ou desconsiderarem determinados preceitos de lei, fulminando ditos dilemas legais sob a pecha de injustiça ou inadequação à realidade nacional.


Abstraída qualquer pretensão de crítica ou censura pessoal aos insignes juízes que se filiam a esta corrente, alguns dos quais reconhecidos como dos mais brilhantes do país, não nos furtamos, todavia, de tecer breves considerações sobre os perigos da generalização desse entendimento.


Primeiro, porque o mesmo, além de violar os preceitos dos arts. 126 e 127 do CPC, atenta de forma direta e frontal contra os princípios da legalidade e da separação de poderes, esteio no qual se assenta toda e qualquer idéia de democracia ou limitação de atribuições dos órgãos do Estado.


Isso é o que salientou, e com a costumeira maestria, o insuperável José Alberto dos Reis, o maior processualista português, ao afirmar que: "O magistrado não pode sobrepor os seus próprios juízos de valor aos que estão encarnados na lei. Não o pode fazer quando o caso se acha previsto legalmente, não o pode fazer mesmo quando o caso é omisso".


Aceitar tal aberração seria o mesmo que ferir de morte qualquer espécie de legalidade ou garantia de soberania popular proveniente dos parlamentos, até porque, na lúcida visão desse mesmo processualista, o juiz estaria, nessa situação, se arvorando, de forma absolutamente espúria, na condição de legislador.


A esta altura, adotando tal entendimento, estaria institucionalizada a insegurança social, sendo que não haveria mais qualquer garantia, na medida em que tudo estaria ao sabor dos humores e amores do juiz de plantão.


De nada adiantariam as eleições, eis que os representantes indicados pelo povo não poderiam se valer de sua maior atribuição, ou seja, a prerrogativa de editar as leis.


Desapareceriam também os juízes de conveniência e oportunidade política típicos dessas casas legislativas, na medida em que sempre poderiam ser afastados por uma esfera revisora excepcional.


A própria independência do parlamento sucumbiaria integralmente frente à possibilidade de inobservância e desconsideração de suas deliberações.


Ou seja, nada restaria, de cunho democrático, em nossa civilização.


Já o Poder Judiciário, a quem legitimamente compete fiscalizar a constitucionalidade e legalidade dos atos dos demais poderes do Estado, praticamente aniquilaria as atribuições destes, ditando a eles, a todo momento, como proceder.


Nada mais é preciso dizer para demonstrar o desacerto dessa concepção.


Entretanto, a defesa desse entendimento demonstra, sem sombra de dúvidas, o desconhecimento do próprio conceito de justiça, incorrendo inclusive numa contradictio in adjecto.


Isto porque, e como magistralmente o salientou o insuperável Calamandrei, "a justiça que o juiz administra é, no sistema da legalidade, a justiça em sentido jurídico, isto é, no sentido mais apertado, mas menos incerto, da conformidade com o direito constituído, independentemente da correspondente com a justiça social".


Para encerrar, basta salientar que a eleição dos meios concretos de efetivação da Justiça social compete, fundamentalmente, ao Legislativo e ao Executivo, eis que seus membros são indicados diretamente pelo povo.


Ao Judiciário cabe administrar a justiça da legalidade, adequando o proceder daqueles aos ditames da Constituição e da Legislação.


Luís Alberto Thompson Flores Lenz





Eis o esquema do texto em seus cinco estágios;


Primeiro estágio: primeiro parágrafo, em que se cita a tese adversária.


Segundo estágio: segundo parágrafo, em que se cita um argumento da tese adversária "... fulminando ditos dilemas legais sob a pecha de injustiça ou inadequação à realidade nacional".


Terceiro estágio: terceiro parágrafo, em que se introduz a tese a ser defendida.


Quarto estágio: do quarto ao décimo quinto, em que se apresentam os argumentos.


Quinto estágio:os últimos dois parágrafos, em que se conclui o texto mediante afirmação que salienta o que ficou dito ao longo da argumentação.
                                    Como realizar a intertextualidade



1. Introdução

A competência em leitura e em produção textual não depende apenas do conhecimento do código lingüístico. Para ler e escrever com proficiência é imprescindível conhecer outros textos, estar imerso nas relações intertextuais, pois um texto é produto de outro texto, nasce de/em outros textos.

A essa relação (que pode ser explícita ou implícita) que se estabelece entre textos dá-se o nome de intertextualidade. Ela influencia decisivamente, como estamos afirmando, o processo de compreensão e de produção de textos.

Quem lê deve identificar, reconhecer, entender a remissão a outras obras, textos ou trechos. As obras científicas, os ensaios, as monografias, as dissertações, as teses, por exemplo, remetem explicitamente a autores reconhecidos, que corroboram os pontos de vista defendidos. A compreensão de uma charge de jornal implica o conhecimento das notícias do dia. A leitura de um romance, conto ou crônica aponta para outras obras, muitas vezes de forma implícita.

Nossa compreensão de um texto depende assim de nossas experiências de vida, de nossas vivências, de nosso conhecimento de mundo, de nossas leituras. Quanto mais amplo o cabedal de conhecimentos do leitor maior será sua competência para perceber que o texto dialoga com outros, por meio de referências, alusões ou citações, e mais ampla será sua compreensão.

As referências são muitas vezes facilmente perceptíveis, identificadas pelo leitor. Por exemplo, no anúncio publicitário sobre meias "Os fins justificam as meias", o leitor percebe de imediato a recriação da máxima "Os fins justificam os meios". Há, por outro lado, referências, alusões muito sutis, compartilhadas ou identificadas apenas por alguns leitores, que têm um universo cultural, um conhecimento de mundo muito amplo. O texto a seguir ilustra o que foi dito.



Outras Vidas


Vanessa Mello

Acredita-se que, para viver outras vidas, é necessário morrer primeiro e, depois de algum tempo, voltar. Eu já vivi muitas vidas, e nada disso foi preciso. Morei em outros países, em épocas diferentes e até em séculos passados. Tudo em uma única vida, a minha.
Beber "Cherry Brand" nos bares de Paris era uma das coisas que eu adorava fazer, mas um dia, algo terrível aconteceu e acabou com minha alegria. Me transformei em barata. Todos se afastaram de mim, tinham medo e nojo. Até que conheci uma velha, acho que era vidente, que me falou sobre meu amor, tão perto de mim e eu o desconhecia. Foi na Ilha de Paquetá e eu realmente encontrei o amor. Estava naquele garoto que eu conhecia desde criança.
Casei-me com um homem incorrigível, que amava e odiava ao mesmo tempo. Ele morreu, mas não me deixou e passei pela deliciosa experiência de ter dois maridos. Vivi uma paixão impossível e valsei sem melancolia, sem arrependimento.
Presenciei a ditadura, no ano de 1968 e, apesar de algum tempo, parece que ainda não acabou. Construí o império dos Diários e Emissoras Associados e muito contribuí para a comunicação. Passava os dias na Praça da Alfândega, convivendo com os mais variados tipos, na época de seus Anos Dourados.
Conheci muitos lugares. Viajei de barco durante cem dias e fiquei maravilhado com a natureza, com o litoral brasileira e até com a África que nunca chamou minha atenção. Ainda sinto o cheiro do mar. Outra viagem interessante que fiz me revelou fatos que não conhecia sobre o descobrimento do Brasil.
Integrei o Clube do Picadinho, que diminuía a cada encontro. Sabíamos de quem era a vez, mas nunca desistimos. A emoção e o perigo faziam com que essas fossem as melhores refeições.
Esses são apenas alguns relatos de minha vida. Poderia ficar por horas contando minhas aventuras, descrevendo todas as pessoas que conheci e relembrando os infinitos amores que tive. Talvez em outro encontro. Mas antes de me despedir, quero contar como foi o meu primeiro contato com esse mundo maravilhoso.
Aconteceu quando eu ainda era criança e minha mãe me apresentou à Turma da Mônica e depois ao palhacinho Alegria. Eles se tornaram meus companheiros e, à medida que fui crescendo, ganhei novos amigos.
Tenho um poder espantoso. Através dele, conheci novo sentimentos, senti o gosto de novas comidas e bebidas, sem nem mesmo ter experimentado, vesti-me como as "sinhazinhas" do século passado, senti fome como Fabiano. Essa capacidade mágica que tenho não é exclusividade minha, ela está adequada a minha personalidade, mas todos podem ter, é só querer.
Além de adquir cultura e informação, desenvolvi minha criatividade, tive uma visão mais ampla de certos assuntos. Dou asa a minha imaginação, e permito-me conhecer novos costume, lugares, vidas, mundos, sentimentos.




No segundo parágrafo, a autora faz referência a três livros: "Paris é uma festa" (E. Hemingway), "A moreninha" (J. M. de Macedo) e "Metamorfose" (F. Kafka). No terceiro, a "Dona Flor e seus dois maridos" (J. Amado) e "Valsa para Bruno Stein" (C. Kiefer). No quarto, a "Chateau, o rei do Brasil" (F. Moraes). No quinto, a um livro de Amir Link. Mais adiante, a Maurício Cardoso e finalmente, a "Vidas Secas" (G. Ramos). O texto se refere às experiências de leitura da autora.

Os teóricos costumam identificar tipos de intertextualidade, entre os quais podemos destacar:

a que se liga ao conteúdo, isto é, a que se refere a temas ou assuntos contidos em outros textos, mediante referências explícitas (citações, com identificação da fonte) ou mediante referências implícitas;


a que se associa ao caráter formal, isto é, mediante textos que imitam o estilo, a liguagem de um autor ou obra (imitação de linguagem bíblica, jurídica; imitação da linguagem de João Guimarães Rosa; etc.). Um leitor competente identifica facilmente essas relações, esse diálogo entre textos.
A intertextualidade, como dissemos, também diz respeito à possibilidade de um texto ser criado a partir de outro(s) texto(s).

Quem escreve não escreve no vazio, pois um texto não surge do nada. Nasce de/em outro(s) texto(s). Pode-se dizer que escrever é a habilidade de aproveitar criticamente, criativamente outros materiais interdiscursivos, outros textos. É por isso que quem lê (de forma inteligente, conforme expusemos no capítulo "Como desenvolver a competência textual") está em situaçõa privilegiada para escrever, uma vez que se apropria, mediante a leitura, de idéias e de recursos de expressão.

Para ilustrar o fenômeno da intertextualidade bem como para pôr em destaque sua relevância no momento da produção textual, apresentamos a proposta de trabalho aplicada nas salas de aula da Famecos / PUCRS.

Trata-se de produzir uma crônica a partir de uma notícia de jornal: uma mãe dá à luz um filho, às portas do hospital, e é socorrida por populares, que envolvem a criança na Bandeira do Brasil, pois participavam do desfile de 7 de Setembro.

Para a realização do texto, apresenta-se a crônica de Fernando Sabino, em que o aluno observa, entre outros fatos, o estilo (frases curtas, nominais, repetições, etc.). Apresenta-se também pequeno trecho do poema "Morte e Vida Severina" de João Cabral de Melo Neto.

A tarefa consiste em produzir a crônica apropriando-se do estilo de Fernando Sabino e inserindo adequadamente passagens do poema.



2. Textos

2.1 Textos dos quais os alunos devem se apropriar



Notícia de Jornal


Fernando Sabino

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.
Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa - não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da rádiopatrulha, por que haveria de ser daminha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.






Morte e Vida Severina


João Cabral de Melo Neto

De sua formosura
já venho dizer:
é um menino magro,
de muito peso não é,
mas tem o peso de homem,
de obra de ventre de mulher.

De sua formosura
deixai-me que diga:
é uma criança pálida,
é uma criança franzina,
mas tem a marca de homem,
marca de humana oficina.

Sua formosura
deixai-me que cante:
é um menino guenzo
como todos os desses mangues,
mas a máquina de homem
já bate nele, incessante.

Sua formosura
eis aqui descrita:
é uma criança pequena,
enclenque e setemesinha,
mas as mãos que criam coisas
nas suas já adivinha.

De sua formosura
deixai-me que diga:
é belo como o coqueiro
que vence a areia marinha.

De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como o avelós
contra o Agreste de cinza.

De sua formosura
deixai-me que diga:
belo como a palmatória
na caatinga sem saliva.

De sua formosura
deixai-me que diga:
é tão belo como um sim
numa sala negativa.

É tão belo como a soca
que o canavial multiplica.
Belo porque é uma porta
abrindo-se me muitas saídas.
Belo como a última onda
que o fim do mar sempre adia.
É tão belo como as ondas
em sua adição infinita.

Belo porque tem do novo
a surpresa e a alegria.
Belo como a coisa nova
na prateleira até então vazia.
Como qualquer coisa nova
inaugurando o seu dia.
Ou como o caderno novo
quando a gente o principia.

E belo porque com o novo
todo o velho contagia.
Belo porque corrompe
com sangue novo a anemia.
Infecciona a miséria
com vida nova e sadia.
Com oásis, o deserto,
com ventos, a calmaria.




2.2 Textos de alunos



Pariu no Corredor do Hospital


Renata Appel

Leio no jornal a notícia de uma mulher que pariu no corredor do Hospital Fêmina. Jovem, negra, pobre, pariu no corredor do hospital, com poucos socorros, em pleno banco estofado, em meio a enfermeiras, médicos e pacientes. Somente abriu as pernas e deu à luz.
Pariu no corredor do hospital. Gritou por ajuda, clamou por assistência médica. No entanto, o tempo não pôde esperar e acabou parindo em pleno corredor.
Gestante pariu no corredor de hospital. A enfermeira disse que havia falta de quartos. Fêmina apresentava super lotação de parturientes. E a pobre negra somente abriu as pernas e deu à luz.
Eis que de seu ventre surge um menino magro. De muito peso não é, mas tem peso de homem, de obra de ventre de mulher. É uma criança pálida e franzina. Mas tem a marca de homem, marca de humana oficina.
Pariu no corredor do hospital. Entre diversas enfermeiras, médicos e pacientes. Mulher pobre. Sozinha. Miserável. Gestante. Jovem demais. Negra. Baixo nível. Ignorante. Um bicho, uma coisa - não foi tratada como digna parturiente. E pariu no corredor do hospital. E eis que de seu ventre salta uma criança pequena. É tão bela como um sim numa sala negativa.
Não é responsabilidade dos profissionais, nem do hospital, nem das autoridades. O que têm a ver com o fato? Deixa a mulher parir em pleno corredor.
E ela, o que faz? Jovem e destemida dá à luz sobre um banco estofado, sem recursos e com pouco auxílio. E eis que de seu ventre nasce o menino. Somente após o ocorrido, a jovem é amparada. Nos braços, o rebento abençoado infecciona a miséria com vida nova e sadia.




Observe-se como a autora se apropria habilmente de recursos lingüísticos encontrados na crônica de Fernando Sabino:



Crônica de Fernando Sabino

A repetição "morreu de fome"
(18 ocorrências)

Frases nominais: "Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa - não é um um homem." Texo de Renata Appel

A repetição "pariu no corredor do Hospital"
(7 ocorrências)

Frases nominais: "Mulher pobre. Sozinha. Miserável. Gestante. Jovem demais. Negra. Baixo nível. Ignorante. Um bicho, uma coisa - não foi tratada como digna parturiente."




Observe-se igualmente como a autora insere passagens do poema de João Cabral de Melo Neto:





" Eis que de seu ventre surge um menino negro. De muito peso não é, mas tem peso de homem, e franzina. Mas tem a marca de homem, marca de humana oficina.


É tão bela quanto um sim numa sala negativa


... infecciona a miséria com vida nova e sadia.







É evidente que a repetição de expressões, o uso adequado de frases curtas, nominais, fragmentadas e a referência aos versos do poema "Morte e vida severina" conferem à crônica traços de literariedade.
Como redigir um texto não revelando o objeto



1. Introdução

Esta técnica foi mencionada quando foram apresentadas fórmulas para iniciar textos. Omitir, no início do texto, o objetivo ou idéia (e só revelá-los adiante) é um artifício original que desperta a curiosidade do leitor. O expediente, no entanto, pode se estender a todo o texto, como demonstramos nesta seção.

A par de outros ganhos que podem advir da produção de textos dentro deste modelo, é preciso ter presente que essa tarefa, de cunho lúdico e desafiador, se presta, ao lado de outras aqui apresentadas, a desenvolver ou resgatar o gosto pela escrita.
Foi observado, com freqüência, a satisfação do aluno, a auto-estima aumentada, por ter produzido algo novo, criativo, surpreendente. O aluno sente-se mais confiante, pois se reconhece como um ser criativo, com poderes de linguagem.



2.Textos

2.1 Textos-modelos



Objeto Estranho


Carlos Drummond de Andrade

Um objeto estranho ameaça incorporar-se à elegância masculina, segundo informa o colega Zózimo. Seu aparecimento ocorreu na Itália, e sua presença já se faz sentir em outras capitais européias.
É a maçaranduba.
A primeira singularidade da maçaranduba consiste em que ela absolutamente não participa da sorte das demais peças do equipamento humano a que se junta. É que a maçaranduba fica perto do vestuário, sem se ligar a ele. É ciosa de sua independência, ao contrário dos outros elementos que colaboram na apresentação do homem em público. Estes seguem conosco na condição de servos dóceis, ao passo que ela mantém liberdade de movimentos. E exige de nossa parte atenções especiais, sob pena de abandonar-nos à primeira distração. Concorda em fazer-nos companhia, mas sem o compromisso de aturar-nos o dia inteiro. Dir-se-ia, mesmo, que nós é que a acompanhamos no seu ir e vir pretenciosamente pelas ruas.
A maçaranduba está sempre à mostra, ostensiva e vaidosa. Sua tendência é para assumir a liderança do conjunto e exibir-se em envoluções fantasistas, que exigem certas habilidades do portador. Assim, quando não tem o que fazer (e de ordinário não tem) descreve círculos e volteios que pretendem ser graciosos em sua gratuidade.
A maçaranduba parece ter mau gênio? Parece, não: tem. Já o demonstrou sempre que algum transeunte lhe despertou antipatia ou lhe recordou episódios menos agradáveis. Pois é. A maçaranduba não é de suportar opiniões contrárias às suas. À falta de melhor argumento, na polêmica, ergue-se inopinadamente, avança como um raio e procura alcançar a parte doutrinária alheia nos pontos mais vulneráveis, desde o lombo até os óculos. Sua agressividade impulsiva costuma levá-la à polícia, quando não se recolhe inerte e indiferente a um canto deixando que seu portador pague a nota dos estragos.
A maçaranduba é basicamente feita de madeira, às vezes se beneficia de espécies vegetais não compactas, o que lhe permite estocar recursos ofensivos de grande temibilidade. Ao vê-la se aproximar, tome cuidado, pois sua ira não se satisfaz com simples esquimoses.
A maçaranduba costuma gostar de ornatos, e uma que pertencia a Balzac era cravejada de pedras preciosas...
A impertinência da maçaranduba, para não dizer arrogância, deve-se talvez ao fato de que em outras eras foi símbolo de poder e, sob formas diversas, esteve ligada à realeza e a seu irmão gêmeo, o absolutismo. Em mãos governamentais, era duplamente terrível: pela contundência material e pela espiritual.
Ter sido a maçaranduba elemento de garridice feminina, durante a Idade Média até a Renascença, não lhe adoçou o temperamento. Passando a andar só com os homens, nem por isso dispensa maior cortesia às mulheres e, na hora de zangar-se, é incapaz de distinguir is sexos.
Diga-se em favor da maçaranduba, para que o retrato não fique excessivamente carregado, que algumas espécimes são inclinadas à generosidade, e se comprazem em ajudar pessoas encanecidas ou faltas de visão. Contudo trata-se de exceção.
A maçaranduba tem um irmão soturno, que paradoxalmente só se anima a passear quando começa a chuva, e sob o aguaceiro se diverte disputando lugar. Muitas vezes este irmão gêmeo imita a mania elegante, no ataque ao próximo.
Cuidado com a maçaranduba, amigos pacíficos: trata-se de objeto às vezes voador, identificado.






Chega, Basta e Fora!


Cyro Silveira Martins Fº

Os acontecimento que o Brasil viveu nessa quinta-feira mostram que caminhamos para um terreno perigosamente pantanoso.
As trevas rondam.
A anarquia ressurge dos bueiros com poder e majestática soberba.
A autoridade que deveria se impor parece inerte e o Brasil hesita e titubeia diante da vontade de uma minoria hábil, atuante e turbulenta, que consegue utilizar-se com destreza da mídia - impressa, falada e televisionada - e consegue impor sua vontade à imensa maior parte dos cidadãos contribuintes e votantes.
E, mais, consegue arrastar em sua cantilene de sereia curvilínea os ingênuos e os que ainda têm a consciência em formação.
Poucos gatos, pingados, mas ardorosos e ousados, que não respeitam leis, regulamentos, regras nem lógica, história, tradição ou costumes.
Nós, os brasileiros verdadeiramente patriotas, não podemos assistir placidamente ao Brasil tendo seu leme quebrado, perdendo o rumo, submetido pela força das idéias exóticas, totalmente desvinculadas de nossa realidade de povo manemolente. Idéias que em nada dizem respeito à nossa natureza espontânea, à nossa exuberância criativa de nação multifacetada étnica, cultural e geograficamente.
Esses, que tentam se impor pela força, desprezando a opinião da avassaladora maioria, se opondo à opinião pública manifestada democraticamente, só contribuem para fragilizar o Brasil diante dos outros países. E para transformar o país numa presa fácil para os predadores estrangeiros. Porque tanto Europa como América Latina só esperam um momento de fraqueza nosso para arremeter e tentar nos colocar de joelhos diante de seus ataques.
Mais ainda.
A arrogância desses que se autoconcedem a onisciência de apenas eles, e ninguém mais que eles, saberem o que é bom para o Brasil, esses que se julgam certos ab initio ad infinitum, esses, que sequer se dignam a explicar aos demais o raciocínio anterior a suas atitudes, a arrogância dessa casta, diante da estupefação de milhões de pessoas, prenuncia uma tempestade de efeitos terríveis sobre a vida, o coração e alma de nós, brasileiros e patriotas.
Não é possível que isso seja levado adiante.
Não podemos, nós, que estamos vendo o Brasil ameaçado, permanecer calados.
Há cheiro de 1974 no ar.
Por isso: chega e basta.
Fora Zagalo.




2.2 Texto de aluno



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Fábio Abreu dos Santos

No começo, ela era minha companheira nos momentos mais difíceis. Sempre que eu estava só, magoado com alguma coisa, houvesse brigado com minha esposa, discutido com os colegas do trabalho, me irritado com meus filhos, eu ia à sua procura. Aliás, com o tempo, qualquer motivo era suficiente para que corresse até ela, tal era o prazer que tal encontro me proporcionava. Ela sempre estava lá, de braços abertos, pronta para me receber, sem me fazer perguntas. Conseguia, de forma milagrosa, confortar-me e fazer-me novamente feliz em questão de segundos. Seu brilho me seduzia, sua voz era como música para meus ouvidos. Uma aura emanava em torno dela. Às vezes na sala, às vezes no quarto, com as luzes apagadas, eu era seduzido por ela, de tal forma que respondia, sem dizer não, a todos os seus apelos. Mas hoje, parece que ela já perdeu um pouco daquele brilho, aquela cor que enfeitava sua fronte. Nossa relação amorosa foi, pouco a pouco, se deteriorando. Talvez fosse a idade dela, talvez fosse seu tamanho. Afinal, convenhamos,14 é muito pouco. Resolvi trocá-la por outra, muito mais bonita, maior, um pouco usada, mas nem tanto. Minha família, após descobrir minhas intenções, até deu-me incentivo para realizar a troca. As crianças, agora, não saem da frente dela. Minha mulher é sua fã número um. Sinceramente, não sei como conseguimos viver até hoje sem uma tv de vinte e uma polegadas.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os valores na sala de aula

                                                                                                         Por Ricardo Luiz Marcello


           Olá! É sempre um prazer recebê-lo nesta coluna, onde procuro transmitir algumas maneiras de aplicar as ferramentas da PNL na sala de aula. No último texto, discutimos o que são crenças e como elas influenciam nossas vidas. Analisamos alguns princípios importantes para um ensino eficaz e consistente e concluímos ser imprescindível que o professor acredite em seu próprio potencial e na capacidade de seus alunos para alcançar êxito no processo educativo.

           Falaremos, hoje, sobre alguns princípios que norteiam nossas vidas e nos ajudam a compreender o porquê de nossos comportamentos – trata-se dos valores. Um professor tende a dar importância ao crescimento, à amizade, aos relacionamentos, ao afeto, à aprendizagem e ao respeito, entre outras coisas. No entanto, se quiser agir de maneira coerente com seu próprio modo de pensar, precisa entender o que, exatamente, essas palavras significam. Por outro lado, é importante ter consciência de que os alunos também agem baseados em um sistema próprio de valores. Identificar esses valores e respeitá-los pode fortalecer os laços empáticos entre aluno e professor, facilitando a comunicação entre ambos e tornando a aprendizagem mais eficaz.

               Espero que este texto realmente lhe traga novas reflexões e o estimule a agir de forma diferente em sala de aula. Peço-lhe que realize todos os exercícios sugeridos, pois o conteúdo só será bem assimilado se for vivenciado em sua plenitude. Portanto, comece a acessar agora um estado emocional de interesse e curiosidade... e tenha uma boa leitura!

                                                                   Valores

O que são valores?

São fundamentos éticos e morais “que consideramos importantes em nossas vidas. Valorizar alguma coisa significa dar-lhe importância. Naturalmente, pessoas diferentes terão valores diferentes” (O’Connor e Seymour, 1996, p. 107).

De acordo com Anthony Robbins (2001, pp. 317 e 318), valores “são simplesmente suas próprias crenças, pessoas e individuais, sobre o que é mais importante para você. Seus valores são seus sistemas de crenças sobre certo, errado, bom e mau”.

Podemos, desde já, perceber uma estreita relação entre crenças e valores. É possível sintetizar os dois parágrafos anteriores na seguinte frase: valorizamos tudo aquilo que acreditamos ser importante para nós. Da mesma forma que as crenças, assimilamos os valores “a partir de nossa experiência e do exemplo de nossa família e amigos” (O’Connor e Seymour,1995, p. 156).

                   Vamos esclarecer os parágrafos anteriores com uma atividade prática. Diminua o ritmo de leitura deste texto... e enquanto você entra em contato com suas sensações corporais... Com os sons que você está ouvindo nesse momento... Enquanto você nota as cores e a iluminação do ambiente onde está... Imagine uma pessoa com quem você tenha um bom relacionamento. Pode ser uma relação de amor, de amizade ou simplesmente um(a) colega. Pense em alguém que você admira... De quem gosta bastante... E enquanto você se recorda dos bons sentimentos que essa pessoa lhe desperta, pense em cinco coisas que tornam esse relacionamento tão especial. Quero que selecione cinco características que fazem a relação com essa pessoa ser diferente para você. Talvez haja amor e carinho... Ou talvez haja compreensão e respeito... Deixe as palavras virem à sua mente e utilize o tempo que for preciso para escolher as cinco características. Quando tiver terminado, retome o estado de curiosidade e atenção para continuar a leitura do texto.

                Você acabou de fazer uma lista de valores para o relacionamento com a pessoa escolhida. É muito provável que tenham sido citadas palavras como “compreensão”, “respeito”, “diálogo”, “momentos felizes”, “amizade”, “boas recordações”, “amor”, “palavras doces”, “gentileza”, “demonstrações de afeto”, etc. Cada um desses valores tem um significado especial para você e são eles que regem seus comportamentos nessa relação.

                Os valores são, em geral, expressos com substantivos abstratos (realização, ousadia, amor, tranqüilidade, alegria, êxtase, paz, sucesso, amor, respeito, sinceridade, alegria, etc), mas podemos também usar pequenas expressões (ser amado, sentir alegria, receber elogios, etc) ou frases (“acho importante presentear as pessoas”, “é fundamental demonstrar os sentimentos”, etc) para exprimi-los. Ao longo dos próximos dias, convido você a refletir sobre os valores de outras áreas de sua vida, como trabalho, casamento, educação de filhos, lazer, saúde, etc. Além disso, se você ouvir com mais atenção o que as pessoas dizem, será possível identificar uma série de valores nas entrelinhas de suas palavras. Comece a utilizar esse recurso para fortalecer a empatia de seus relacionamentos!


                                                               A hierarquia de valores

           Pode-se também classificar os valores em uma hierarquia de importância. Por exemplo: no trabalho, o que é mais importante para você? Um bom salário ou um forte sentimento de realização? Obviamente, é excelente quando podemos ter as duas coisas, embora sabemos que isso nem sempre é possível. Muitos dão mais importância ao salário, mas há quem prefira ganhar menos, em troca de uma profissão mais prazerosa.

Saber qual é a ordem de importância de nossos valores é bastante útil na hora de tomarmos alguma decisão. “As decisões são difíceis porque, geralmente, representam um conflito de valores. Por exemplo, você aceita ou não fazer um trabalho extra? Por um lado, você precisa de dinheiro extra, por outro, deseja dedicar-se mais à família. Se você souber o que é mais importante, a decisão torna-se simples” (O’Connor e Seymour, 1996, p. 108).

Volte aos cinco valores que você identificou em seu relacionamento com aquela pessoa especial. Vamos supor que você tenha escolhido “amor”, “diálogo”, “respeito”, “sinceridade” e “carinho”. Agora, se tivesse que excluir um deles da lista, qual eliminaria em primeiro lugar? Circule essa palavra e escreva ao seu lado o número “5”. Proceda da mesma maneira com cada palavra, até encontrar o valor mais importante, ao lado do qual você colocará o número “1”. Ao final, você terá em mãos uma lista de valores em ordem crescente de importância.


Congruência e Incongruência

“Estando doente devo pensar o contrário
Do que penso quando estou são.
(Senão não estaria doente),
Devo sentir o contrário do que sinto
Quando sou eu na saúde,
Devo mentir à minha natureza
De criatura que sente de certa maneira...
Devo ser todo doente – idéias e tudo”.
(poema de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa).


             Apesar de soar um pouco conformista, esse poema ilustra um importante conceito de PNL: a congruência. Para Alberto Caeiro, “estar doente” e “estar são” são coisas bem distintas, que modificam por completo seu estado de espírito. Quando não está são, Caeiro transforma-se por completo, desde o que sente até suas idéias, a fim de ficar “todo doente”, e não “mais ou menos” doente...

    Quando nos comportamos em harmonia com nossos valores, temos uma sensação de congruência. Segundo O’Connor (2004, p. 251), “congruência é o estado no qual suas palavras, linguagem corporal e ações, todas se complementam, concordam e apontam na mesma direção”.

A sensação de congruência “vem da compreensão de que estamos satisfazendo nossos valores com nosso comportamento presente” (Robbins, 2001, p. 318). Você se sentirá realizado na medida em que seus comportamentos e empreendimentos estiverem alinhados com os seus valores pessoais. Por isso é importante ter consciência de quais valores você cultiva em determinado contexto de sua vida e em que ordem hierárquica eles estão.

           Sentimos incongruência, portanto, quando queremos realizar algo que vá de encontro aos nossos valores pessoais. Eis um bom exemplo: acredito que você já tenha “furado” uma tentativa de regime alimentar, saboreando uma deliciosa guloseima com aquela péssima sensação de culpa. Uma parte de você quis comer o doce (essa parte estava valorizando o prazer da alimentação)... Enquanto a outra tentava o advertir para não fazer aquilo (valorizando a estética corporal e a saúde). Essa sensação de “estar dividido” enquanto agimos é o que chamamos de incongruência.

                                                           Os Valores na Educação

                Vamos agora, de forma vivencial, aplicar estes conceitos de PNL na sala de aula. Minha proposta é elaborarmos três listas de valores importantes para uma aula, a partir de três perspectivas diferentes: a de um professor, a de um aluno e a de um diretor de escola.

Pare novamente por uns instantes... Acomode-se confortavelmente... E enquanto uma agradável sensação de relaxamento cresce em seu corpo, imagine-se na sala de aula, à frente da classe, interagindo com seus alunos, explicando-lhes um assunto qualquer, respondendo às suas dúvidas... E à medida que vai reexperimentando a sensação de estar no papel de educador, procure responder às perguntas: como professor, o que você valoriza em uma aula? Quais de suas atitudes poderiam facilitar o entendimento dos conteúdos? O que você valoriza em um aluno? O que você valoriza em um diretor de escola? Como deve ser a estrutura de uma escola ideal? Deixe as palavras surgirem em sua mente e registre as respostas em uma folha de papel.


             Quando achar que concluiu a primeira lista, levante-se e acomode-se em outro lugar. E enquanto vai sentindo aquele agradável estado de relaxamento novamente, retorne para um momento de sua vida em que estava do outro lado do jogo: você era o aluno. Procure se recordar de uma palestra a que assistiu ou de um curso qualquer que tenha feito. Se preferir, pode regressar para a época da faculdade, do ensino médio ou fundamental. E conforme vai revivendo essa época, responda às mesmas perguntas, baseado nesse novo ponto de vista. Como aluno, o que é importante em uma aula? O que é importante que você faça para assimilar os assuntos com mais eficácia? O que você valoriza em um professor? O que você valoriza em um diretor de escola? Como é uma escola ideal para você?


Ao terminar a segunda lista, vá para um outro lugar onde possa se acomodar de forma relaxada. Você vai, agora, imaginar que é o diretor ou o coordenador de uma escola. Há professores, alunos e funcionários sob sua inteira responsabilidade. Cabe a você decidir sobre a metodologia de ensino a ser utilizada nas aulas, sobre quais professores devem ser contratados, sobre como ficará a grade de aulas, entre outras atribuições deste cargo. Vivencie este ponto de vista por uns momentos e responda àquelas mesmas perguntas, com esse novo enfoque. Como diretor, o que é importante em uma aula? O que você valoriza em um professor? O que você valoriza em um aluno? Quais seriam os diferenciais da sua escola e como você gostaria que alunos e professores se sentissem nela?


              Agora você tem em mãos três listas de valores, baseadas em três perspectivas distintas. Se for do seu desejo, é possível torná-las ainda mais específicas, estabelecendo a hierarquia de valores de cada uma.

             A seguir, compare o conteúdo das listas e identifique quais valores estão mais evidentes. Talvez você encontre os mesmos princípios em algumas listas e isso é um sinal positivo, pois significa que suas diferentes perspectivas sobre a aula estão congruentes e sintonizadas. Por outro lado, é possível encontrarmos itens citados apenas em uma das listas. Além disso, se você dispôs os valores em ordem hierárquica, há a possibilidade de não os encontrar com o mesmo grau de importância nas listas. Assim, pense se os valores encontrados na perspectiva do “aluno” e do “diretor” podem ser aproveitados para suas ações como professor, seja dando mais importância para algum princípio, seja modificando seus comportamentos em aula.

             A finalidade destes exercícios é aumentar a consciência que temos de nossos valores, a fim de agirmos em sala de aula com maior coerência, de forma mais congruente com nosso próprio modo de pensar. Assim, uma outra análise que se pode fazer é checar se estamos agindo de acordo com os valores que encontramos na própria perspectiva de “professor”. Por exemplo, se você escreveu que valoriza os relacionamentos em um contexto de aprendizagem, de que maneira exatamente você promove a interação social entre seus alunos? É muito importante termos ideais a serem alcançados, mas seria excelente se realmente agíssemos para torná-los realidade.

Por fim, lembre-se de que seus alunos também têm uma hierarquia de valores para a escola. Procure identificar estes valores no dia-a-dia das aulas, seja durante conversas informais, seja observando suas atitudes. Compreender os valores de nossos alunos pode ser a chave para uma compreensão mais profunda de suas necessidades como estudantes. O ideal seria que os valores de educadores, alunos e dirigentes estivessem sempre alinhados, para uma educação sólida e totalmente congruente.


O enfoque deste texto foi os princípios orientadores de nossas vidas – os valores. Partimos de algumas definições para o termo e entendemos que eles podem ser dispostos em ordem de importância. Compreendemos o que é congruência e a importância de buscarmos essa sensação quando agimos. Aplicamos estes conceitos na educação, elaborando listas de valores para uma aula, baseadas em três perspectivas diferentes (professor, aluno e diretor). Espero que este texto tenha lhe proporcionado uma oportunidade para rever suas ações em sala de aula e refletir sobre suas práticas educativas. No próximo texto, falaremos sobre âncoras na sala de aula.


Bibliografia Geral

- BANDLER, Richard. Usando sua Mente: As coisas que você não sabe que não sabe. São Paulo: Summus, 1987.
- BERNARDES, Sirlei. Acorda Professor – PNL na Arte de Educar. Campinas: Komedi, 2003.
- CAPRIO, Frank S.; BERGER, Joseph R. Ajuda-te pela Auto-Hipnose. São Paulo: Papelivros, s.d.
- DILTS, Robert B. A estratégia da genialidade, vol. I. São Paulo: Summus, 1998.
- DILTS, Robert B; EPSTEIN, Todd A. Aprendizagem Dinâmica – Vol. I. São Paulo: Summus, 1999.
Aprendizagem Dinâmica – Vol. II. São Paulo: Summus, 1999.
Enfrentando a Audiência. São Paulo: Summus, 1997.
- GRINDER, John; BANDLER, Richard. Atravessando: passagens em psicoterapia. São Paulo: Summus, 1984.
- O’CONNOR, Joseph. Manual de Programação Neurolingüística. Rio de Janeiro: Qualitymark: 2004.
- O’CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Treinando com a PNL. São Paulo: Summus, 1996.
- Introdução à Programação Neurolingüística. São Paulo: Summus, 1995.
- PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos e outros poemas. São Paulo: Cultrix, 1989.
- PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. São Paulo: Ática, 2004.
- ROBBINS, Anthony. Poder sem Limites. São Paulo: Best Seller, 2001.
- WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O Corpo Fala. Petrópolis: Vozes, 2002.
- WEISINGER, Hendrie. Inteligência Emocional no Trabalho. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Relatório sobre Tendências Pedagógicas


                                                
                                                   Natália Franciele Leandro da Silva

1.Introdução

        Este relatório tem como objetivo descrever as atividades realizadas na 1ª Unidade da disciplina de Didática ministrada pela professora Maria Lúcia.
        Para construção desse texto, inicialmente construímos um Referencial Teórico em seguida descrição das atividades. Posteriormente apresentaremos a análise dos resultados, as considerações finais e a bibliografia.

2.Referencial Teórico
              No contexto atual a educação tem sido modificada para dar um ensino de qualidade e atender as necessidades sociais, políticas e econômicas. Essas relevantes modificações sofridas no decorrer do tempo,tem refletido principalmente nas ações dos alunos no contexto escolar.Assim os professores ficam inseguros com relação ao processo ensino-aprendizagem fazendo-se necessário uma reflexão em relação o processo educativo. Os professores necessitaram passar a usar essas transformações para buscar novas formas didáticas e metodologias para a melhoria do processo ensino-aprendizagem com seu aluno passando a ser um motivador desse processo.
            Devido ao desenvolvimento acelerado a escola no contexto atual precisa rever suas práticas educativas adequando-as ao momento atual e principalmente se colocar na posição de organizador principal na evolução da sociedade, cumprindo assim sua função transformadora de conhecimento.Dessa forma, a prática pedagógica e o processo de ensino-aprendizagem no contexto atual precisa ter como princípio a necessidade de ima reformulação pedagógica, onde a escola deixe de ser obrigação a ser cumprida pelo aluno, passando a ser uma fonte para a aquisição do saber.

“Na sociedade da informação, a escola deve bússola para navegar
nesse mar de conhecimento, superando a visão utilitarista de só
oferecer informações “úteis” para a competitividade, para obter
resultados. Deve oferecer uma formação geral na direção de uma
educação integral. O que significa servi de bússola? Significa
orientar criticamente, sobretudo as crianças e jovens, na busca de
uma educação que os faça crescer e não embrutecer.”
( GADOTTI,2000.)


           O professor nesse contexto deve ter em mente a necessidade de se colocar em uma postura norteadora do processo ensino-aprendizagem, pois ele tem um papel importante no desenvolvimento de seu aluno podendo ser um condutor para o seu crescimento.

“Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam
a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas
também formam pessoas. Diante dos falsos pregadores da
palavra, dos marketeiros, eles são os verdadeiros “amantes da
sabedoria”, os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem
fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento),
porque constroem sentido para a vida das pessoas e para a
humanidade e buscam, juntos, um mundo mais justo, mas
produtivo e mais saudável para todos. Por isso eles são
imprescindíveis.”(GADOTTI, 2000)


              A educação é o meio pelo qual preparamos indivíduos para atuar na sociedade.Há diversas modalidades de educação. A educação não-intencional são as influencias que os indivíduos recebem do contexto social e do meio ambiente onde não há nem uma intenção de ensinar.Na educação não formal nós trabalhamos atividades educativas fora da escola convencional como: movimentos sociais organizados e meios de comunicação de massa.Já a educação intencional tem finalidade de ser ensinada, é uma forma de ducação formal onde são realizadas em ambientes escolares ou em agências de instrução e educação.É por meio da educação que o indivíduo forma a sua personalidade e o seu caráter, implicando uma concepção de mundo, idéias,valores,modos de agir, que se traduzem em convicções ideológicas, morais,políticas, princípios de ação frente a situações reais e desafios da vida prática.Dessa forma o individuo desenvolve a instrução que é a informação intelectual e o desenvolvimento da capacidades cognitivas diante do domínio de conhecimentos sistematizados, isso significa dizer que é o indivíduo aprende a se desenvolver como uma pessoa capaz de realizar determinadas atividades.O ensino é o meio para a realização dessa instrução.
           As Tendências Pedagógicas tem influenciado muito na escola.A Pedagogia Liberal tem por finalidade preparar o indivíduo para o desempenho de papéis sociais, apesar do nome liberal ela não tem o sentido de liberar as pessoas,mas vem devido o capitalismo que foi uma manifestação da sociedade..Essa Pedagogia engloba a tendência tradicional, a tendência renovada progressivista,a renovada não-diretiva e a tecnicista que foi a última tendência da Pedagogia Liberal surgida.Nesse processo de surgimento de novas tendências Saviani descrevi que:

“ Os professores têm na cabeça o movimento e os princípios da
escola nova.A realidade,porém, não oferece aos professores
condições para instaurar a escola nova, porque a realidade em
que atuam é tradicional.”(SAVIANI,Dermeval,1981;pág.95)

               Ele nos lembra que a escola era um ambiente no qual o aluno não tinha saber, sendo considerado uma tábua rasa.Hoje os professores tentam fazer da educação algo novo, onde o aluno tem seu saber e pode crescer junto com o professor, porém, ainda encontram dificuldades, porque apesar de tanto se falar em renovação a escola continua sendo de certo modo “tradicional”. No contexto de cada tendência percebe-se que há uma evolução na educação,pois cada educador trabalha em prol de um ensino com oportunidade iguais para todos mesmo sabendo que a realidade em alguns lugares é diferente.Existe lugares em que há poucos recursos e os professores tentam adaptar os recursos que lhe é disponível para melhorar o ensino.Na tendência tradicional prevalece a palavra do professor, onde ele tem voz e vez podendo ditar as regras.A Tendência Tradicional prepara o aluno intelectualmente e moralmente para a sociedade, mas não é preocupação dela problemas sociais. Nessa tendência os conteúdos são passados ao aluno como verdades inquestionáveis sendo eles um mero depósito de informações, é o chamado ensino bancário onde o professor é o dono da verdade e não há nenhum relacionamento afetivo entre professor e aluno.
            O professor passa o conteúdo sem haver nem um tipo de debate,questionamento e nem intervenção do aluno, este por sua vez deve fixar o conteúdo.
          “Aprender a aprender” essa é a regra de “ouro” colocada na vida do aluno e do professor progressivista, esse por sua vez vem em segundo plano, onde o privilégio é o aluno que “dita as regras”, ou seja, ele aprende o que lhe interessa para a convivência social e cultural deixando de lado os conteúdos programáticos. As experiências e as tentativas que não dão certo, não são erros e sim oportunidades de educar-se com suas próprias tentativas em um processo de construção e reconstrução.
          Os métodos utilizados para esses processos são de: (Dewey, Montessori,Decroly,Cousinet...) contudo a adaptação nas escolas é de difícil aceitação, pois os professores não tem condições objetivas, chocando-se com a prática que usamos com facilidade a tradicional.As escolas particulares são as que mais adotam estes métodos temos também as escolas experimentais e comunitárias.
Toda dificuldade que esses métodos trazem para as escolas tradicionais são a não valorização dos conteúdos organizados racionalmente, já que os conteúdo de ensino do método progressivista são estabelecidos em função de experiências frente a desafios cognitivos e situações problemas.Na sociedade atual é difícil manter uma turma disciplinada e interessada onde eles mesmo escolhem o que querem aprender, é preciso que o método progressivista tenha um elo com o tradicional.
           A Tendência Liberal renovada não-diretiva tem por preocupação maior o psicológico do que o social e pedagógico de cada aluno. O material didático ajuda muito, mas não é só isso tem que ter uma certa motivação para muitos irem a escola.O conteúdo de ensino facilita a transmissão dos conteúdos para os alunos e fazem com que os tornem mais responsáveis para com seus próprios desenvolvimento. O professor tem liberdade para desenvolver o seu próprio método de ensino que facilite a aprendizagem do aluno. Essa tendência
          Propõe uma educação centrada no aluno para que este desenvolva a sua personalidade.
         O Tecnicismo foi introduzido no Brasil no final dos anos 60 como forma de orientação político-econômica do Regime Militar para inserir a escola no sistema de produção Capitalista.
         Na Tendência Tecnicista a escola prepara o aluno dando-lhe conhecimentos e habilidades para que ele possa integrar-se ao sistema social. Dessa forma a escola contribui para o sistema produtivo, seu interesse é produzir indivíduos competentes para o mercado de trabalho através de informações, princípios científicos, leis que possam ser redutíveis ao conhecimento observável e mensurável, ou seja, tudo o que se pode observar ou determinar, sendo assim uma ciência objetiva onde o material instrucionais são os livros didáticos, manuais, módulos de ensino e dispositivos audiovisuais. A metodologia de ensino consiste nos procedimentos e técnicas utilizados pelos professores para assegurar a transmissão e recepção de informações. Esse método possui três componentes que são os objetivos instrucionais operacionalizados em comportamentos observáveis, procedimentos instrucionais e avaliações.
            Essa Pedagogia assim como a Tradicional mantém uma distância entre aluno e professor criando um ambiente puramente técnico, não havendo questionamentos, debates, discussões e relações afetivas. O ensino tecnicista é um processo de condicionamento através do uso de reforço das respostas que se quer obter, ou seja, acredita-se que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábito.
           A Pedagogia Progressista tem por finalidade a análise crítica da realidade social. Nela inclui-se a Tendência Libertadora que tem como mentor Paulo Freire e a Libertária que reúne os defensores da auto-gestão pedagógica. Essas tendências valoriza a experiência do aluno como base da relação educativa.
          Na Tendência Libertadora a escola trabalha a realidade social, pois o importante não é conteúdos específicos e sim fazer junto ao educando um trabalho através de suas experiências vividas através de grupos de discussão onde professores e alunos interagem e através das trocas de experiências permitirem uma compreensão da vida, conduzindo os educando a uma crítica da realidade social. Libâneo diz:

“Aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta,
Isto é, da situação vivida pelo educando, e só tem sentido
Se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade.O
Que é aprendido não decorre de uma imposição ou
memorização, mas do nível crítico de conhecimento, ao qual
se chega pelo processo de compreensão, reflexão e crítica.”
(LIBANEO,1991.pág.35)


        O conhecimento do educando não deve ser imposto, mas adquirido através do seu senso crítico.
        Já a Tendência Libertária o desenvolvimento individual é tido como realizado somente no coletivo. Essa tendência é uma forma de resistência a ação dominadora do Estado. Nela as matérias não são impostas porque o importante é a experiência do grupo. O conhecimento não é tido como investigação da realidade, mas sim descobrir as respostas exigidas pela vida social.O professor é um conselheiro que não impõe, mas sim aconselha o aluno não havendo qualquer poder de autoritarismo, fazendo com que o aluno se torne uma pessoa livre.
        A Tendência Crítico-social dos conteúdos surgiu na década de oitenta preparando o aluno para o mundo adulto e suas contradições. Ela possibilitou uma participação organizada e ativa perante a sociedade.O professor e o aluno trabalham em conjunto, nessa relação o docente deixa claro o que está trabalhando, para que servirá o conteúdo e como o aluno usará em seu cotidiano havendo uma troca de conhecimentos.Nessa tendência a escola é o meio para eliminar a seletividade social e torná-la democrática, pois a escola faz parte da sociedade e pode agir dentro dela exercendo um papel transformador na vida do aluno através da intervenção do professor e sua participação ativa, dando ao aluno uma visão mais organizada do meio social.Segundo Saviani:


“A atuação da escola consiste na preparação do aluno para
o mundo adulto e suas contradições, fornecendo - lhe
instrumental por meio da aquisição de conteúdos e da
socialização, para uma participação organizada e ativa na
democratização da sociedade’’(SAVIANI,Dermeval,1981;)


             Para essa tendência aprender é desenvolver habilidades para lidar com os estímulos obtidos na escola e organizar os dados que estão disponíveis na experiência adquirida.


3. Descrição das Atividades

             Nas aulas assistidas em sala foi apresentado no dia 5 de agosto o contexto atual da educação além da elaboração do roteiro para a construção do relatório. Na aula seguinte,12 de agosto foi trabalhado os conceitos básicos da didática,em seguida a sala foi dividida em grupos de estudos para apresentação de seminários, Já no dia 19 de agosto houve apresentações em sala sobre as Tendências Pedagógicas além da continuação do relatório. Na noite de 02 de setembro foi construído coletivamente o roteiro para a visita técnica a escola Amélia Coelho onde será realizado uma pesquisa de campo sobre a estrutura e funcionamento da mesma. Já na aula de 09 de setembro foi adiantado uma aula do segunda unidade sobre oficinas. No entanto dia 16 de setembro foi debatido sobre a visita técnica que será na próxima aula (23/09). Hoje 23 de setembro foi concluído que por alguns motivos não será possível a realização da visita a escola Amélia Coelho. Em 30 de setembro foi dado início a elaboração do projeto das oficinas.


4. Análise dos resultados

          Podemos notar que a escola tem passado por várias mudanças ao longo do tempo, e essas mudanças tem contribuído para um ensino de qualidade,mas as ainda existe muita coisa para se fazer.O processo de ensino é uma atividade conjunta de professores e alunos organizados sob a direção do professor com a finalidade de prover as condições e meios pelos quais os alunos assimilam ativamente conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções para atuar na sociedade.Dessa forma os professores devem estar se auto-avaliando, pois a evolução da ciência é constante, a cada dia temos novas descobertas e precisamos quebrar velhos paradigmas educacionais.


5. Considerações Finais

              Através deste relatório em que fizemos alguns estudos teóricos e em que enfatizamos alguns pontos de vista,aprendemos muito mais do que esperávamos.
            Percebemos que a educação não é algo terminado,mas sim um processo contínuo que possibilita uma interação entre o professor e o aluno e que é preciso que o ensino seja bem administrado com aulas que envolva os alunos para que haja um bom ensino-aprendizagem.
            Os professores devem desenvolver aulas que tenham haver com o contexto do aluno, e não se limitar, tentar ampliar sempre os seus métodos educacionais despertando o interesse do aluno pela disciplina e desenvolvendo assim o seu potencial preparando-os para o mundo.
          Para que nós tenhamos uma educação de qualidade os governantes, professores, alunos e a sociedade precisam se juntar. Dessa forma trabalhando em conjunto poderemos tornar a educação um meio para melhorar o mundo.


6. Referência Bibliografica


PILLETI,Claudino.Didática Geral- São Paulo.Editora Ática,1997.


LIBÂNEO,José Carlos.Didática 1º ed.São Paulo,Contez.1991.


LIBÂNEO,José Carlos.Democratização da Escola.São Paulo.


GADOTTI,M.Perspectivas atuais da educação.Porto Alegre,2000.