domingo, 8 de agosto de 2010

Resenha de Poemas do Livro a Clepsidra de Camilo Pessanha



                                       O SÍMBOLO E A DOR


                      Por Natália Franciele Leandro da Silva


Camilo Pessanha nasceu em Coimbra, em 14 de outubro de 1885. Escreveu seu primeiro poema “Lúbrica”, concluiu o curso de Direito, colaborou com a revista O Intermezzo e também no jornal O Novo Tempo.Em 1894, vai para Macau. Durante esse tempo publica no jornal as suas estranhas composições. Na sua última visita a Portugal para tratamento de saúde, João de Castro Osório pediu para que Pessanha transpusesse os poemas que sabia de memória.Dessa forma, foi produzida a Clepsidra, (PESSANHA, Camilo. Clepsidra.São Paulo. Ateliê, 2009). Camilo Pessanha faleceu em Macau em 1926.
A Clepsidra foi um marco no Simbolismo português e essa obra que reuni todos os poemas de Camilo Pessanha o consagrou como o maior poeta Simbolista português. Esse título foi bem colocado, pois Pessanha conseguia transcender do mundo material para o inconsciente, característica típica do Simbolismo. Do ponto de vista formal, a poesia de Pessanha destaca-se pela musicalidade, pela sinestesia, metáforas, símbolos, ambiguidades e o uso de imagens auditivas e visuais. Já os seus temas são relacionados ao pessimismo que o autor tinha sobre a vida, a Dor, a morte e a solidão. Nos poemas analisados a Dor existencial, a presença da Morte estão sempre presentes. Pessanha tinha o pensamento schopenhaueriano de que o mundo é um caos e que a única certeza do ser humano é a morte.O eu lírico tenta fugir da dor, mas é inútil porque para ele o futuro traz a certeza de continuar preso a essa Dor ( Floriram por engano as rosas bravas/ No inverno: veio o vento desfolha-las...), fazendo com que o poeta entre em um ambiente de caos tentando entender a si mesmo, a fugacidade da vida, a dolorosa consciência de que a realidade não passa de imagens passageiras, e ao não encontrar respostas Pessanha faz uso de símbolos e sensações para traduzir uma atitude de dúvida, ansiedade e desencanto pela vida ( Cansei-me de tentar o teu segredo:/No teu olhar sem cor,- frio escalpelo,-/O meu olhar quebrei, a debate-lo,/Como a onda na costa dum ro- chedo).Aliado ao conceito de símbolo, encontramos a arte da sugestão que em Pessanha se traduz na utilização da técnica impressionista, nas imagens visuais ( Tatuagens complicadas do meu peito:/ Vermelho, um lis;/ Em campo azul) e sonoras ( As vozes com que há pouco me enganavas?/-Perdida voz que de entre as mais se exila,/ - Festões de som dissimulando a hora/Só incessante,um som de flauta chora), com a finalidade de sugerir sensações e convidar o leitor a interpretar estados de alma, sem nunca se deter na descrição que levaria à objetividade. Na poesia de Camilo Pessanha o símbolo da visão passa a ser um instrumento através do qual o poeta capta toda a Dor, é a forma que ele tem de fazer uma ligação entre o eu e o mundo exterior. Dessa forma, o caos que Pessanha refletia vinha do caos que passava Portugal na época devido a reação contra o materialismo e o cientificismo. Ele consegue fazer uma ligação entre o seu inconsciente e o inconsciente coletivo assim Pessanha não exprimia só o que passava dentro de si, mas o que se passava dentro das pessoas que não tinham como se expressar e nele todo esse caos era expressado através dos símbolos.
A obra Clepsidra de Camilo Pessanha é muito agradável para ler, pois tem uma linguagem conotativa que nos dar o direito a várias interpretações. Dessa forma, o que resta ao leitor é a intuição para tentar achar a idéia geral que compõem o texto.

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